10 Maio 2008

Uma noite no Sahara

Depois de muito pesquisar as várias opções marroquinas de tours pelo Sahara, decidimos por visitar Erg Chigaga, tendo como ponto de partida a cidade de Zagora.

Resumidamente, posso dizer que preferimos visitar Erg Chigaga por ser mais longe da civilização e menos turístico que Erg Chebbi e decidimos por Zagora pelos motivos opostos: por ser mais perto da civilização e mais turístico que M’hamid!

Fomos a Zagora de carro, a partir de Marrakech. Embora a estrada seja boa e a distância seja relativamente pouca (nem 300km), leva bem umas 6 horas para fazer esse percurso, pois a estrada é estreita e muito movimentada. Mas não por causa dos carros, não! Carro por ali era o nosso e olhe lá, o problema era a enorme quantidade de pastores com suas cabras, crianças brincando e crianças trabalhando, além de muitos policiais ávidos por te multar por excesso de velocidade.

Resultado: calculamos mal o tempo da viagem e os últimos 30km até Zagora foram de muita tensão e velocidade baixíssima, pois tinha anoitecido e de noite é impossível ver as pessoas que andam pela estrada. Para piorar a situação, todos se vestem de preto!

Enfim Zagora! Um bom banho, um típico jantar marroquino no hotel (já não podia mais ver tajine na minha frente, mas as opções de menu por ali são meio restritas…) e uma bela noite de sono para, no dia seguinte, explorarmos o Sahara!

Nove horas da manhã e estávamos prontos na porta da agência que nos levaria às dunas do Sahara. É claro que do lado da agência tinha uma lojinha de souvenirs e é claro que, enquanto esperávamos, o vendedor nos convenceu a comprar turbantes para a aventura! Turistas…

Saímos de Zagora em um 4×4, na companhia de um guia que falava inglês e de um motorista que permaneceu mudo todo o tempo.

Primeira parada: um boteco no meio de uma cidadezinha perdida sabe Deus onde, a fim de comprarmos pão para a nossa jornada…

O método marroquino para escolher pães naquele boteco é bem simples: primeiro se coloca todos os pães existentes sobre um balcão (com várias pessoas e objetos apoiados ali, obviamente), depois é só apalpar um a um até encontrar o pão que atenda as suas necessidades (seja elas quais forem…). Está em dúvida? Apalpa de novo! Daí é só colocar o dinheiro sobre o mesmo balcão, de preferência embaixo dos pães restantes (para não voar, é claro), e a transação está concluída! Simples assim!

Pode parecer estranho, mas essa parada nesse boteco foi essencial para que eu me desse conta que se eu quisesse aproveitar a viagem e me divertir por ali, teria que me abstrair de alguns “detalhes” da minha vida cotidiana, como a higiene, por exemplo…

Prosseguimos nossa viagem off road no meio do nada. Eu nunca vi tanto nada junto! É o nada no seu estado mais puro! De vez em quando, ao longe, dava pra avistar umas montanhas e o Vale do Draa e de vez em quando surgia uma plantinha aqui e ali ou um acampamento nômade…E eis que, finalmente e bem na hora do almoço, chegamos na nossa segunda parada: um oásis!

Visto de longe é bem como nos filmes: um monte de palmeiras reunidas e muito nada ao redor! Eu estava excitadíssima com a idéia de almoçar num oásis de verdade no meio do Sahara de verdade! Já fui logo ajeitando o meu turbante pra entrar bem no clima! A primeira impressão foi ótima: sombra, barracas improvisadas decoradas com tapetes berberes, almofadas pelo chão… Um lugar perfeito para se descansar nas horas mais quentes do dia! Mas… cadê a água fresca??

Pois é… a água do oásis vinha de um poço pequeno, era meio suja e utilizada com muita parcimônia pelos locais… A vantagem de ser turista é que o nosso guia tinha providenciado muita garrafa de água mineral pra nós (a que nós levamos não deu nem pro cheiro!).

OK, água nós tínhamos, mas fresca? Só em sonho! Eu não entendi a razão, mas sob um sol de mais de 40 graus, o povo dá conta de beber chá de menta quente! E, além disso, nada de geladeira! Todo mundo bebe água em temperatura ambiente, ou seja uns 40 graus!!

Confesso que tomar água morna não é nada agradável, mas é sempre melhor do que não tomar… Mas sabe que, curiosamente e contrariando todas as minhas expectativas, o chá de menta quente era bom e refrescante? Vai entender…

O nosso guia preparou o nosso almoço que consistia no fatídico pão escolhido minuciosamente no boteco no meio da estrada, salada de tomate no estilo marroquino (quer dizer com coentro até a alma), queijo do tipo Polenghinho (??) e atum!! Atum foi a coisa mais bizarra que eu poderia comer num deserto , mas era atum daqueles enlatados, tá valendo!

Mais um pouco de chá de menta quente e a bexiga começa a reclamar… Onde mesmo é o banheiro?

Banheiro!? Que banheiro? Todo o glamour do oásis foi-se embora enquanto eu me dirigia à duna mais próxima… Que situação! Ninguém merece esvaziar a bexiga agachadinha atrás de uma duna! Pior: prestando atenção na direção do vento para não molhar os pés!

Já aliviada, me veio uma dúvida cruel: usar ou não usar o papel higiênico que eu trazia na bolsa? Se sim, o que fazer com ele depois de usado? Deixá-lo voar ao sabor do vento? Enterrá-lo? O que você faria?

Basta! Vamos subir o nível do post…

Após o almoço tínhamos uma hora de sol forte para aquela dormidinha básica antes de prosseguir viagem… Como não sou do tipo que dorme à tarde, fiquei ali observando o nada… De repente, não mais que de repente, uma meia dúzia de cabras, vindas do além, aparecem  por ali procurando água e comida…

Pareciam “habituées” do oásis, pois sabiam exatamente onde era o poço e onde ficava a “cozinha”. Enquanto todos dormiam, elas beberam um pouco de água, comeram um restos de comida, lamberam todos o pratos que estavam por ali (ooooommmmm…. eu devo me abstrair desses “detalhes higiênicos”, ooooooommmmmmm…) e foram embora felizes, de barriga cheia!

Alguns minutos depois da partida das cabras, foi a nossa vez de prosseguir viagem. Mais quilômetros e quilômetros de nada e chegamos no nosso “bivouac” debaixo de muito vento!

Diz a lenda que vento no deserto é estraga-prazeres como chuva na praia… Realmente, por causa de toda aquela areia em suspensão, o tempo parecia nubladão e os nossos turbantes foram muito mais úteis do que eu imaginei que seriam, pois protegem mesmo! Mas o vento nem atrapalhou tanto a minha diversão! Eram montes de areia que não acabavam mais e eu feliz como uma criança subindo e descendo cada um deles e rolando duna abaixo… Tentei até fazer o “anjo”, como se faz na neve, mas não deu muito certo…

Mais suja impossível, voltamos ao acampamento para mais uma dose de chá de menta quente e ver o por-do-sol dali mesmo. Com todo aquele vento, o por-do-sol não teve muita cor, mas foi bonito assim mesmo!

O nosso acampamento era composto de umas 6 barracas feitas com cobertores de lã, umas 4 barracas para os turistas, 1 barraca que fazia as vezes de restaurante, 1 para a cozinha e uma construção de cimento muito precária, com um buraco no chão, fazendo as vezes de banheiro (prometo que dessa vez não comento nada sobre o banheiro!).

Já estava anoitecendo e o nosso guia foi preparar o nosso jantar… Os outros turistas que estavam no mesmo acampamento com a gente (um casal com um filho adolescente e seus respectivos guias) preferiram jantar ao pé de uma fogueira; nós achamos melhor usar a barraca restaurante, romanticamente à luz de lampião e protegidos do vento.

Para o jantar, veio a sempre presente salada de coentros ligeiramente aromatizada com tomates, o nosso pão de ontem, hoje e sempre e uma tajine de frango com legumes. Embora estivéssemos cansados de tanto comer tajine no Marrocos, o jantar estava bem gostoso, o nosso guia sabe cozinhar direitinho. Fruta de sobremesa (um melão incrivelmente doce!) e o inexorável chá de menta quente pra finalizar.

Programaço após um jantar no Sahara: deitar numa duna e observar as estrelas! Eu nunca vi tanta estrela reunida e nem tanta estrela cadente de uma só vez, eu não tinha mais pedidos para fazer!

Ficar ali, naquele silêncio absoluto, observando estrelas te faz perder completamente a noção do tempo e do espaço. Não tenho idéia de quanto tempo ficamos ali, quando nos demos conta, todo mundo do acampamento já tinha ido dormir (alguns ao relento).

Gastei meio litro de Opti Free para lavar as mãos e tentar tirar minhas lentes de contato, que já estavam me incomodando há tempos e fomos dormir também (acho que traumatizei com o vento e preferi o aconchego da barraca, em vez de dormir sob a estrelas como alguns fizeram…)

Dentro da barraca tinha um colchãozinho molengo, mas confortável, lençol limpinho (ressalva: não sei se estava limpo mesmo, ou se estava limpo comparado com as condições de higiene que havíamos encontrado até então, ou se estava limpo comparado à minha própria imundície) e dois cobertores de lã de carneiro!

Antes de dormir, o lençol me incomodava de tão quente que estava, mas quando acordei, tinha os cobertores até as orelhas!

O dia no deserto começa cedo, às 5h30 da manhã eu já estava toda faceira sobre uma duna pra ver o nascer do sol (desta vez, sem vento), em seguida o guia nos serviu o café da manhã ao ar livre, onde não poderia faltar o nosso bom e velho amigo pão, geléia, leite, nescafé e, obviamente, o chá de menta!

Logo após o café da manhã, final da aventura. Juntamos nossas coisas e, três horas depois, estávamos de volta a Zagora, doidos por um banheiro limpo.

Apesar dos perrengues com a questão da higiene básica, e de passar mais de 24 horas sem poder sequer lavar as mãos, foi uma aventura maravilhosa e uma experiência incrível que recomendo vivamente! É um tour inesquecível que rende sempre ótimas risadas ao lembrar dos detalhes “trágicos”!

Mas é o tipo da coisa que se faz uma vez na vida e nunca mais!

5 Maio 2008

Grazzano Visconti

Uma coisa que eu adoro na Itália é que os italianos (pelo menos os que eu conheço) não ficam em casa de jeito nenhum, estão sempre “in giro”! Seja um final de semana em alguma cidade européia servida por uma low cost, seja um almoço num restaurante delicioso e econômico em uma cidade vizinha.

Quando não viajo, esses almoços fazem a alegria dos meus finais de semana. Não só porque sou uma comilona e a comida italiana é maravilhosa, mas também porque a Itália é inesgotável, e eu acabo sempre conhecendo uma cidadezinha charmosérrima, com muita história pra contar, bem pertinho de casa.

Pois bem, o objetivo inicial do nosso sábado era simplesmente passear pelas vinícolas dos Colli Piacentini com um outro casal de amigos, almoçar em uma cidadezinha chamada Ponte dell’Olio, onde tem um restaurante de cozinha regional maravilhoso, a Locanda Cacciatori (mais típico impossível e o “pisarei e fasò” é demais!).

Mas eis que no meio do almoço se lembraram de que eu era estrangeira, de que não conhecia Grazzano Visconti e, já que estávamos ali pertinho, por que não mudar um pouco os planos e, após o almoço, visitar a tal Grazzano Visconti.

Pois é… a minha reação foi mesmo essa: “Visitar o quê? Mas do que vocês estão falando?”.

Eles me explicaram que é uma cidadezinha turística até bem famosa na região, por que reconstrói um burgo medieval, com direito a castelo, cavaleiros, lutas e afins. E, acrescentaram que, ainda que de medieval a cidade não tenha nada (as construções são recentes), valia a pena o passeio.

 

Fiquei imaginando um lugar sem graça, totalmene fake só para agradar turista, mas tava valendo! Não costumo recusar passeio…

Como me enganei! O lugar é encantador e não se parece em nada como um cenário da Disney, como eu imaginava que fosse. É uma cidadezinha normal, com vida própria e pessoas de verdade que moram por ali; a cidade tem seu charme porque possui uma arquitetura “particular”, que conseguiu captar muito bem o “clima” medieval, tanto que tava cheio de crianças em passeios da escola, munidas de escudos e espadas, aprendendo como era a vida na Idade Média.

(Vou confessar que tive vontade de me juntar às crianças para ouvir as explicações… mas me contive e fiquei prestando atenção de longe pra não dar muita bandeira).

Quem quiser saber mais sobre a cidade, dá uma passadinha no site www.grazzano.it.

11 Abril 2008

Flamenco em Granada

Se tem uma coisa que eu adoro é ser “turista”. Quando viajo, assumo completamente essa minha condição (Nota: não comungo com a diferenciação - eivada de preconceitos, na minha opinião - entre “turista” e “viajante”. Pra mim, quem viaja com o objetivo de entretenimento é um turista e ponto final.) e procuro fazer tudo que um turista tem direito. Inclusive assistir a um show de flamenco na Andaluzia!

Meu namorado não fez lá uma cara muito contente quando comentei com ele as minhas intenções para aquela noite primaveril em Granada… Mas até que ele não reclamou muito e até me ajudou na escolha de um lugar legal para que pudéssemos assistir a um show de flamenco mais ou menos bom.

A nossa primeira opção foi a “Peña de la Platería”, que, diz a lenda (e o guia), “é um autêntico lugar de aficcionados”, mas, não sei por que, estava fechado.

Fomos, então, para a nossa segunda e última opção: “Los Tarantos”. A informação do guia é que consistia num lugar destinado sobretudo a turistas, mas que fica numa gruta interessante e que os bailarinos são bem bons. Tá valendo!

Com os ingressos comprados antecipadamente (como sempre!), chegamos com alguns minutos de antecedência ao horário previsto, bem a tempo de evitar que um grupo de uns 40 japoneses entrasse na nossa frente (bem que avisaram que era um lugar destinado a turistas!) e, com isso, conseguimos pegar dois lugares ótimos, praticamente de frente para os bailarinos.

A tal gruta onde fica Los Tarantos é pequena e lotou com o grupo de japoneses e mais uns 3 casais de estrangeiros perdidos por ali, que faziam uma cara de “onde eu vim me meter?” a cada japonês que entrava… Foi uma cena engraçada de se ver!

Antes do show começar, serviram um copo de bebida para cada um dos presentes, e finalmente o som das castanholas!

Eu nunca tinha ido a um show de flamenco antes, então não tenho parâmetros para comparação e também não entendo nada de flamenco para poder opinar sobre a qualidade do show, a única coisa que eu sei é que fiquei muito satisfeita com o que vi.

A apresentação continha todos os elementos que eu esperava encontrar num show de flamenco: trajes típicos, castanholas, sapateados, canto, guitarra, palmas e “olés!”e, embora fosse evidente que alguns bailarinos tinham mais traquejo que outros, todos deram conta do recado!

Fiz um videozinho de um trecho do show… Tirem suas próprias conclusões e depois me contem!

 

4 Abril 2008

Gruta do Lago Azul

 Chegamos em Campo Grande em plena segunda feira por volta do horário do almoço, alugamos um carro e fomos caçar alguma coisa pra comer na capital. O Guia 4 Rodas mencionava que no mercado municipal de Campo Grande era possível encontrar excelentes sopas paraguaias e chipas. Achei que seria uma boa oportunidade de “introduzir” meu namorado na cultura local, antes da viagem a Bonito…

A visita ao mercado foi um programa melhor do que qualquer restaurante poderia ter sido! Foi cômico, o moço parecia uma criança deslumbrada. Ele nunca tinha visto nada igual, pra ele era tudo muito exótico… A todo instante apontava alguma coisa com curiosidade e, euzinha, no meio da avalanche de perguntas, tentava explicar o que era tereré, erva mate, berrante… (fico imaginando o que ele não passou comigo, logo que me mudei para a Itália… :oops: )

Depois de muitas risadas e explicações, comemos excelentes sopas paraguaias (que de sopa não tem nada…), embalamos algumas chipas para viagem e lá fomos nós rumo a Bonito.

Todas as vezes que pensava em Bonito era a imagem da Gruta do Lago Azul que me vinha em mente… Eram as fotos dessa Gruta que eu procurava na internet pra mostrar pro meu namorado para onde iríamos (tadinho… totalmente perdido na geografia brasileira…) e a Gruta foi o primeiro passeio que agendei nos nossos 4 dias de Bonito. Estava super ansiosa para conhecer a gruta e conferir se a água era azul mesmo ou se era tudo truque fotográfico para atrair turistas…

Saímos do hotel bem cedo, porque não conhecíamos as condições da estrada de terra e com um carro mil na mão não dava pra brincar… Que bela surpresa, a estrada nem era ruim, mas mesmo assim demoramos um monte para chegar no nosso destino… Fizemos uma parada estratégica para observar um tucano que voava pra lá e pra cá, todo exibicionista, tivemos que reduzir a velocidade para não atropelar uma siriema desorientada que corria na frente do carro, e, principalmente, enfrentamos muitos bois descansando felizes no meio da estrada e que não tinham a menor intenção de sair do lugar…

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Chegamos no horário previsto, nos juntamos aos demais do grupo, pegamos os capacetes e, finalmente, eu conheceria a Gruta do Lago Azul, símbolo de Bonito (pra mim, pelo menos!). Enquanto descíamos, a guia dava algumas explicações sobre a formação rochosa do lugar, alguns dados históricos sobre a Guerra do Paraguai, mas eu confesso que não prestei muita atenção, não… Pra mim, naquele momento, a gruta não era para ser explicada, era pra ser admirada…

Eis que, do nada, um menino de uns 12 anos, do nosso grupo, que estava com os pais, resolve ter um ataque de pânico, chorava desesperado, empacou num canto e disse que não iria mais pra lado nenhum. A guia ficou meio sem saber o que fazer… Tinha que continuar o tour, mas não podia deixar o menino ali sozinho, também não podia retornar com o menino e deixar o grupo sozinho… Resultado: ficamos parados ali uns 15 minutos até que um outro grupo, já de saída, cruzou com a gente e levou o menino e seus pais embora.

Enquanto esperávamos, estiquei o pescoço sobre uma rocha e finalmente consegui ver o quão azul era o lago! A partir de então, não senti os 15 minutos passarem, não ouvia mais o choro do menino, estava completamente hipnotizada… O lago é azul mesmo!!! Mas não é um azulzinho sem graça… É azul de verdade! Parece até que jogaram tinta na água, porque é impossível um azul tão azul ser de verdade, sem nenhum retoque!

Logo o pessoal do grupo se deu conta da minha “descoberta” e, como já havia gente demais dando atenção ao menino, atrás de mim já existia fila pra esticar o pescoço e curtir um pedacinho do azul do lago.

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Problema resolvido, menino são e salvo com seus pais fora da gruta, ninguem mais falava sobre a formação rochosa do lugar ou sobre a Guerra do Paraguai… O assunto era “doença”, ataque de pânico, depressão, aquela vez que a tia não sei de quem teve um problema não sei do que, o irmão que sofria de não sei que coisa… Péssimo!

Ainda bem que não durou muito! Logo vimos o azul do lago em todo o seu esplendor e ninguém mais se lembrou de doença nenhuma. O assunto da vez era “oohhhh”, “uau!!”, “que lindo!”, “fantástico!”.

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Pausa para fotos e fim do passeio… Só nos restava subir a trilha de volta à superfícia e guardar na memória aquela paisagem incrível, porque as fotos saíram quase todas escuras, tremidas, desfocadas, tortas… Não é fácil fotografar em grutas!!

31 Março 2008

Chiostro delle Clarisse

 Tá certo que eu tenho uma certa predileção pelos Claustros das igrejas… Normalmente gosto mais dos claustros do que das igrejas propriamente ditas, mas daí a fazer um post exclusivo sobre um clausto…  não seria um exagero?

Poderia até ser se o Chiostro delle Clarisse não fosse uma “atração à parte” da Igreja de Santa Clara em Nápoles… No sentido literal da expressão! A entrada do claustro para visitação não tem nada a ver com a igreja; é feita através de uma porta lateral discreta do lado de fora da igreja.

Além disso, o Chiostro delle Clarisse é fascinante porque é todo recoberto de azulejos coloridos e, pasmem!, sem nenhuma referência religiosa.

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Encontrar um claustro todo colorido foi realmente uma surpresa… Normalmente os claustros são sóbrios, transmitem paz e tranquilidade… Esse, ao contrário, me transmitiu alegria e energia, talvez porque as cores predominantes fossem o amarelo, o verde e o azul.  O guia diz que são as cores do céu, dos limões do jardim e das parreiras que recobrem os corredores do claustro no verão… (Preciso voltar no verão…)

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Outra grande surpresa é a ausência de motivos religiosos, as colunas são revestidas de azulejos com representações de flores, frutas, folhas e os azulejos que recobrem os diversos bancos existentes no claustro representam cenas do cotidiano, como trabalhadores, festas, instrumentos musicais…

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Diz a lenda que esses desenhos representam os desejos de contato com o mundo externo, uma grande tentação para as freiras enclausuradas…

18 Março 2008

Taverna del Capitano

 O nosso último reveillon foi na Costa Amalfitana, mas não foi muito fácil organizá-lo… Como eu mencionei num outro post, a festa para celebrar o ano novo na Itália consiste numa super mega janta regada a muito vinho, normalmente num restaurante bacana. O problema estava justamente em conciliar o “muito vinho num restaurante bacana” com o retorno ao hotel pelas estradas sinuosas típicas da região.

Depois de muito pesquisar, fomos parar na costa de Sorrento, numa cidadezinha chamada Nerano, mais precisamente na baía de Marina del Cantone, no restaurante Taverna del Capitano.

A Taverna é uma graça, antiga casa de pescadores que conserva intactas as suas características, além de ser exatamente o que estávamos procurando: restaurante excelente (2 estrelas michelin) e um quarto ali mesmo, a nossa única dificuldade depois do jantar seria subir algumas escadas… Perfeito!

Pra ser sincera, eu gostei ainda mais do lugar porque fazia muito tempo que eu não passava um reveillon na praia e a Taverna del Capitano é do tipo pé-na-areia - quer dizer, pé nas pedras, porque as praias ali não são de areia…. mas tá valendo! E, além disso, diz a lenda, que é exatamente nessa baía que moram as sereias, causadoras de tantos naufrágios. (Eu adoro lendas e lá estava eu a imaginar Ulisses dando ordens à sua tripulação a fim de que os ouvidos fossem tapados com cera, pois só assim poderiam escapar do canto fatal das sereias e evitar o naufrágio, como conta Homero em sua Odisséia.)

O jantar de reveillon foi o máximo! Além da qualidade da comida, a apresentação era super divertida. Só tinha um detalhe…. Depois que vim morar na Europa, tive que aprender regras de etiqueta pra não fazer feio nessas ocasiões. Quando eu achava que já estava ficando uma expert com talheres e copos, que já estava dando conta de enrolar spaghetti num garfo com um mínimo de classe e sabendo manusear com um pouco de desenvoltura aqueles “instrumentos cirúrgicos” usados para crustáceos, eis que me deparo com “esse” jantar de reveillon! Os meus parcos conhecimentos de etiqueta não me serviram pra nada!

O antipasto veio num prato retagular, com 12 “buracos”, parecido com uma caixa de ovos elegante, e, em cada buraco uma coisa diferente, umas coisas mais sólidas, outras mais líquidas… e agora? Uso o garfo? Uma colherinha, talvez? Dá pra misturar os ingredientes dos diversos buracos?

Em seguida, veio um saco plástico fechado, cheio de um caldo de frango com alguns ravioli boiando, e um macarrão oco servindo de “canudinho”, para tomar o caldo direto do saco plástico, com direito a todos os rumores que esse “procedimento” pode causar… Terminado o caldo, era “só” abrir o saco plástico para pegar os ravioli…

Mais adiante vem um pedaço de carne enfiado num espeto de uns 80cm de comprimento, todo enfeitadinho e que quase ocupava a mesa toda. E foi assim o jantar todo: a cada prato, uma nova surpresa!

O ápice foi a sobremesa! Uma estrutura maravilhosamente montada e sustentada em pé por, pasmem!, um balão de gás!. Se você tirar o balão dali, a sobremesa desmonta inteira e, pior, onde você coloca o tal balão? Deixa voar livremente pelo restaurante? Se você deixar o balão, não consegue comer a sobremesa e ainda corre o risco de destruir o equilibrio e ver um pedaço de biscoito voando livremente pelo restaurante… Era engraçado o modo como as pessoas se olhavam interrogativas e observavam como os outros estavam fazendo para comer…

O jantar foi fantástico, não só pela qualidade da comida, mas principalmente porque a apresentação dos pratos deu uma certa cumplicidade a todos os presentes e quebrou o gelo de “jantar formal em restaurante chic”, sem precisar apelar pro vinho. No final estavam todos brincando com os balões da sobremesa, fazendo luta de espadas com os espetos gigantes da carne e discutindo coisas profundas como: “os ingredientes do antipasto ficam melhor juntos ou separados?”

Me arrependo de não ter levado a máquina fotográfica pro restaurante e de não ter feito foto dos pratos, mas “emprestei” as duas fotos que seguem do site da Taverna del Capitano, só pra dar uma idéia do que eles propõem:

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10 Março 2008

Trier

 Chegando no aeroporto de Frankfurt, fomos direto à locadora buscar nosso carro. Eu estava excitadíssima com a idéia de andar pelas famosas estradas alemãs, sem limites de velocidade. A primeira vez a gente nunca esquece, né?

Bom, o carro alugado não ajudava muito com o seu motor 1.6, mas mesmo assim era divertido estar a quase 200km/h e observar as várias BMWs que nos ultrapassavam como se estivéssemos a 40km/h. Mas o mais impressionante nas rodovias alemãs, não é a ausência de limites de velocidade é a educação do motoristas! Poder dirigir na velocidade que o carro aguenta, sem imposições de limites, na minha opinião, nada mais é do que uma consequência do modo como os alemães dirigem.

Pasmem, 1 - todos eles dão seta quando vão ultrapassar ou virar para algum lugar, (não é triste isso? Achar o máximo algo que deveria ser a regra?), 2-  ocupam sempre a pista disponível mais à direita e só usam as pistas da esquerda para as ultrapassagens (na Itália, a impressão que dá é que a pista da direita é só pra “losers”, excluindo os caminhões, ninguém mais as usa! Em uma autostrada com 4 pistas, invariavelmente as duas pistas da direita estarão vazias e as duas da esquerda “engarrafadas”…) e, 3 - a sinalização é respeitada!

As tais BMWs que andavam a 300km/h, diante de uma placa de “obras” com velocidade máxima permitida de 20km/h, não se faziam de rogadas, ainda que não existisse nenhum vestígio de obras por quilômetros de distância, iam a 20km/h (na pista da direita e dando sinal antes de que estavam mudando de pista, é claro!) Só voltavam à velocidade “normal” se alguma outra placa assim as autorizasse!

Aliás, sinalização nas estradas alemãs é o que não falta! Acabamos até nos perdendo por causa do excesso de informação, é mole? Pra chegar em Trier, existiam diversas placas indicando sempre “Trier-alguma coisa”… E esse “alguma coisa” era sempre um aglomerado que consoantes que variava conforme a saída indicada… Vai saber o que significa aquele “alguma coisa” depois do nome da cidade… Escolhemos ao acaso e, obviamente, fomos parar no meio do nada, sem ter noção de onde estávamos nem para onde deveríamos ir…

Paramos para pedir informação a uma senhora que passava, que não falava um “a” em inglês, mas que foi muito solícita e, através de gestos, nos ensinou direitinho o caminho.

A sua explicação, muito engraçada, foi mais ou menos assim: “vira a direita, depois à esquerda, direita de novo e “oh! Porta Nigra!”, fazendo uma cara de surpresa com as duas mãos no rosto, como quem brinca de esconder com crianças, dando a entender que teríamos chegado no nosso destino.

Não deu outra, dizer “oh, Porta Nigra!” com cara de espanto, até hoje serve como um tipo de “código” nas nossas viagens para indicar que chegamos em algum lugar importante.

Bom, já deu pra perceber que a tal Porta Nigra é a principal atração de Trier. Não é pra menos, é uma porta do século II, construída pelos romanos, com o uso de blocos de pedra e barras de ferro, sem o uso de argamassa. É uma obra-prima da engenharia porque está até hoje de pé graças à força da gravidade, uma vez que não existe nenhum tipo de “cola” para manter os blocos de pedra unidos. Show, né?

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Mas nem só de Porta Nigra vive Trier. Diz a lenda que Trier é a cidade mais antiga da Alemanha, foi fundada no ano 15 antes de Cristo e seis imperadores moraram por ali.

De fato, a cidade conserva uma enorme quantidade de ruínas romanas e uma outra atração da cidade é a Basilica de Constantino, uma construção enorme do ano de 310, que servia como a “sala do trono” do imperador Constantino. O curioso é que, mais tarde, por volta de 1760, agregaram à Basílica o Palácio Kurfürstliches, um edifício cor-de-rosa (!!!) em estilo rococó para servir de residência aos “príncipes-eleitores”. Quando vi as fotos nos guias, achava que eram dois monumentos próximos, mas não “grudados”! É super estranho ver esses dois lugares juntos, pois um não tem nada a ver com o outro!

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A foto eu “emprestei” do site http://cache.virtualtourist.com/3514439-Palais_der_Kurfursten_and_the_Konstantinbasilika-Trier.jpg

Trier também é famosa por ter sido a cidade de Karl Marx. A casa onde o autor de “O Capital” nasceu e passou sua infância é hoje um museu com documentos que ilustram sua vida e obra. Pra quem não é um entusiasta das teorias de Marx, o museu não tem muita graça, mas vale como curiosidade.

A cidade tem uma praça maravilhosa onde, segundo os entendidos, predomina o estilo barroco. Eu não entendo nada de estilo arquitetônico, mas amei as casas coloridas e o fato de ser um lugar cheio de vida, mesmo numa manhã fria e feia.

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Uma pena que eu não tenha muitas fotos de Trier para ilustrar o post… Em não bastando o tempo nublado, a minha câmera resolveu parar de funcionar logo no início da viagem… Até eu descobrir que o problema era com as pilhas que estavam com defeito, embora recém carregadas…

6 Março 2008

Palácio do Buçaco (ou seria Bussaco?)

 Em uma das vezes que estive em Coimbra por causa do Mestrado, meu namorado resolveu “me buscar” em Portugal e aproveitamos para curtir um final de semana prolongado em terras lusitanas. O plano seria mais ou menos assim: ele chegaria em Coimbra por volta das 20h, jantaríamos e dormiríamos por ali, e, na manhã seguinte, começaria o tour que havíamos planejado.

Como ele já esteve em Coimbra algumas vezes e já frequentou os meus lugares preferidos na cidade, achei que seria legal inovar um pouco e resolvi levá-lo ao Palace Hotel do Bussaco.

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Eu adoro hotéis históricos e acho que eles acrescentam muito charme a qualquer viagem na Europa! Fala a verdade… não é o máximo poder dormir no lugar que um dia foi uma “casa de veraneio” real construída onde antes havia um mosteiro carmelita?

O hotel fica no meio da Mata do Buçaco, a uns 25km de Coimbra, e chama muita atenção pela sua aparência, digamos, “singular”. O guia o define como um “bolo de noiva com um relógio cuco em cima” e por aí dá pra imaginar o tipo de decoração do lugar… Carregadíssima! Foi nesse palácio que eu fui entender o verdadeiro significado daquilo que os entendidos denominam “estilo neo-manuelino”.

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Por dentro, a situação não é muito diferente e é impossível não se impressionar com a exuberância da decoração.

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Uma pena que os áureos tempos deste hotel já passaram e hoje ele tá meio decadente e precisando de uma revitalizada… Os carpetes manchados e os tecidos puídos que revestem os móveis tiram um pouco do encanto do hotel, mas, ainda bem, não conseguem eliminar a atmosfera de conto de fadas que existe ali.

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Infelizmente, como era inverno, tava meio frio pra curtir a Mata do Buçaco, que deve ser linda na primavera e perfeita para abrandar o verão… Mas só o hotel já valeu a viagem! A Mata fica para uma próxima…

Ah! É claro que, antes de ir ao hotel do Buçaco, paramos no tradicionalíssimo Rui dos Leitões para jantar… Delicioso!

3 Março 2008

Bamberg

 Naquela minha viagem em busca dos Patrimônios da Humanidade da Unesco localizados nos arredores de Frankfurt fiquei surpresa porque a maioria deles, embora maravilhosos e interessantíssimos (não é à toa que foram tombados pela Unesco), não recebiam muitos turistas e os poucos turistas que encontrei pelo caminho eram alemães.

Já estava até me acostumando com isso… até a hora que cheguei em Bamberg…

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Mal chegamos no centro da cidade e nos deparamos com vários ônibus de turismo, grupos de turistas seguindo guarda-chuvas coloridos e japoneses com suas implacáveis máquinas fotográficas por toda parte! Confesso que não estava esperando encontrar tanta gente! Achei que também ali seria mais um desses lugares maravilhosos, interessantíssimos e desprezados pelos turistas não alemães… principalmente por que, assim como a maioria dos outros destinos perto de Frankfurt, eu nunca tinha ouvido falar em Bamberg! (Será que eu sou tão ignorante assim, geograficamente falando? Alguém já tinha ouvido falar dessa cidade? Por favor, não me deixem só!!!)

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De qualquer modo, Bamberg foi a cidade de que mais gostei e posso dizer que está entre uma das mais bonitas da Alemanha, principalmente porque é genuína, a maioria das construções são originais e não foram reconstruídas após a guerra.

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Chegamos em Bamberg por volta da hora do almoço, então, antes de começar a explorar a cidade, resolvemos experimentar uma das várias cervejarias que tem por ali. O guia ressaltava que a cidade era famosa pela cerveja, que só na cidade existem umas 10 cervejarias e, nos arredores mais umas 80! Escolhemos uma cervejaria ao acaso: a Ambräusianum e pedimos a cerveja da casa e um salsichão, que tinha um nome ininteligível, mas simpático.

Alguns minutos depois, eis que vem a nossa cerveja, um potinho com mostarda, alguns pretzels e uma cumbuca cheia de água fervendo com duas salsichas albinas boiando! Que coisa horrorosa de se ver! Eu e a minha mania de querer sempre experimentar pratos típicos!

Contrariando todas as expectativas, foi a melhor salsicha que comi na Alemanha e a mostarda era de lamber os beiços! Satisfeitos, lá fomos nós visitar a cidade!

A catedral de Bamberg é o máximo! Olhando de longe, parece uma catedral normal, com muita história, e particular importância porque tem um papa enterrado lá. Mas o que eu adorei nessa catedral foram os detalhes! Na fachada tem a “Porta do príncipe”, com uma escultura que representa o Juízo Final. Tá, e o que tem de interessante nisso? Toda igreja que se preze tem uma escultura ou pintura representando o Juízo Final!

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Pois é… mas só em Bamberg a cara das pessoas representadas são tão engraçadas! Parece até que estão fazendo caretas!

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Dentro da igreja a cena não é muito diferente, uma das esculturas mais famosas é a de um Anjo, que, como diz o guia, “tem um sorriso divertido”. Eu, particularmente, achei o anjo um debochado, isso sim! Adorei!

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Mas a escultura mais famosa da catedral não tem nada de religiosa. É um “rei-cavaleiro” não identificado que se tornou o símbolo da perfeição ariana para os nazistas. Que coisa, né?

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Outro lugar curioso é a Altes Rathaus, linda, localizada entre de duas pontes e  toda decorada com afrescos. O interessante é que, num dos afrescos, colocaram a escultura de uma perna de querubim balançando… Eu queria saber o que leva alguém a ter esse tipo de idéia…

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O fascinante de Bamberg é que, além de charmosa e de produzir cerveja boa, a cidade inteira tem esses detalhes curiosos para serem descobertos. O máximo!

15 Fevereiro 2008

Portovenere e Cinque Terre

 Essa viagem a Cinque Terre foi memorável porque foi totalmente de surpresa. Uma bela sexta-feira de junho, meu namorado voltou do trabalho no horário do almoço, começou a arrumar a mala e “exigiu” que eu fizesse o mesmo, pois passaríamos o final de semana fora em algum lugar misterioso.

Tive um chilique! “Como assim? Que lugar é esse? Pra onde você tá me levando? O que eu preciso colocar na mala?”

Eu até gosto de surpresas, mas viajar pela Itália “no susto” eu não curto muito não. A Itália tem tanta história… eu preciso estudar um pouco antes pra entender o que eu estarei prestes a ver e principalmente, pra saber o que colocar dentro da mala!

De tanto que eu insisti, ele acabou revelando que já tinha tudo reservado em Portovenere e que iríamos passar o final de semana nas Cinque Terre. E também me acusou (com razão, mas isso eu não digo pra ele!) de “estraga-prazeres”!

De Milão, pegamos a autostrada em direção a Parma e depois em direção a La Spezia… Mais rápida e com menos movimento do que a autostrada via Genova. De fato em 2 horas e poucos minutos já estávamos em Portovenere.

Na minha opinião, Portovenere é o melhor lugar para se hospedar quando se vai a Cinque Terre.

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Primeiro porque Portovenere é linda, tem mais infra-estrutura do que as Cinque Terre e, não sem razão, também é considerada patrimônio da humanidade pela Unesco, juntamente com Riomaggiore, Manarola, Corniglia, Vernazza e Monterosso

Segundo porque é super fácil chegar a qualquer uma das “terre” de barco. Bem no centrinho de Portovenere tem a versão aquática daqueles ônibus “hop on hop off”, em que você paga um bilhete e ele pára nos principais pontos turísticos e que você pode subir e descer quantas vezes quiser. Esses barcos seguem o mesmo princípio, com um bilhete de um dia, você percorre todas as Cinque Terre de barco e pode ir e voltar quantas vezes quiser.

Portovenere é linda e romântica, não só pelas casas coloridas, típicas da região, mas é também cheia de história, com direito a uma igreja no alto de uma rocha, quase no mar, onde antes havia um templo dedicado a deusa Vênus (daí o nome Portovenere), e também um castelo onde se realizam festas de casamento.

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Quando fomos visitar o Castelo, demos sorte, porque, por causa de um matrimônio, a visitação seria encerrada mais cedo e, em seguida, quando estávamos indo visitar a igreja, encontramos a noiva, o noivo e os convidados todos pelo caminho. Foi muito engraçado ver todo mundo de terno, salto alto e vestidos longos, debaixo de um sol de rachar, subindo as ruas íngremes e de pedra para chegar ao castelo. As mais espertas levaram um belo par de tênis para a empreitada.

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Chegando na igreja, demos de cara com uma senhora na porta que só fazia resmungar… Era a encarregada da limpeza da igreja que xingava cada grão de arroz que precisava retirar dos buraquinhos do pavimento… Muito caricato!

No dia seguinte, lá fomos nós passear pelas Cinque Terre. Paramos logo de cara em Riomaggiore porque queríamos fazer as Cinque Terre a pé, e depois voltar a Portovenere de barco a partir de Monterosso.

São várias as trilhas entre as cidades, mas as mais famosas e bonitas são aquelas que acompanham o mar. O trecho entre Riomaggiore e Manarola é especialmente lindo, por isso denominado de Via dell’Amore, e particularmente agradável, porque não é tão íngreme, as cidades são muito próximas e qualquer um, com qualquer preparo físico, consegue curtir bem a paisagem sem se cansar….

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O trecho entre Manarola e Corniglia também é lindo, mas já é menos “agradável”, pois é mais íngreme, a trilha não é tão uniforme, as cidades são mais longe… Talvez seja por isso que a quantidade de gente que percorria essa trilha tenha diminuído drasticamente.

Chegando em Corniglia na hora do almoço, paramos por ali para uma bella focaccia (especialidade ligure!). Juro que tudo o que eu queria da vida estava ao meu dispor bem ali: a mesa do bar, sob a sombra de uma árvore, numa pracinha charmosa, uma cerveja gelada, uma focaccia deliciosa e o amor da minha vida comigo!

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Depois desse almoço, veio a preguiça de caminhar… E, segundo as informações do mapa das trilhas, as distâncias entre as “terre” só fazia aumentar, e as trilhas seriam cada vez mais “selvagens”. Nem precisava de tudo isso para que nós nos déssemos por satisfeitos com a caminhada feita até então. Fomos procurar o “porto” para pegar nosso barco…

Mas… onde é o porto de Corniglia? Fomos descobrir que o barco não pára ali… Corniglia fica no alto de uma montanha e só existem dois modos de sair dali: a pé ou de trem. Pagamos alguns poucos euros e fomos de trem até Vernazza e em seguida de barco até Monterosso.

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Já no final do dia, pegamos o barco de volta a Portovenere e foi um jeito maravilhoso de nos despedirmos das Cinque Terre: por do sol e a vista de todas as cidadezinhas pelo mar! Ai, ai…

 Ah… Já que estávamos por ali e já que as ilhas de Palmaria, Tino e Tinetto também fazem parte dos lugares tombados pela Unesco e já que em Palmaria tem um restaurante bem bom, demos uma passadinha por lá. Não gostei! É um lugar muito “militar”, tudo ali é do exército, inclusive as praias mais bonitas são particulares e de uso exclusivo de militares e respectivas familias… Os pobres mortais tinham que lutar por um lugar ao sol no meio das pedras…

13 Fevereiro 2008

Costa Amalfitana

 Dizem que não é legal visitar a Costa Amalfitana no inverno por “n” motivos: faz frio e não dá pra aproveitar o mar, a maioria dos lugares está fechado, é época de chuvas…

Mas contrariando todas as recomendações, em pleno início de janeiro lá fomos nós fazer um tour pela costiera amalfitana…

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Minha opinião sincera? Achei ótimo não ficar parada no trânsito, achei maravilhoso encontrar fácil lugar pra estacionar, adorei não precisar reservar restaurante com muita antecedência e amei as decorações natalinas espalhadas por tudo!

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O frio? Bom… fazia uns 10-12 graus durante o dia e uns 5-6 à noite… Realmente não dá pra pegar praia… mas se eu quisesse praia, teria ido ao Brasil! As paisagens na Costa Amalfitana são de tirar o fôlego, mas as praias são bem ruinzinhas, se comparadas com as praias brasileiras…

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Tava tudo fechado? Tinha realmente muita coisa fechada, especialmente aquelas agências que vendem passeios de barco, mas por ser época de Natal e Ano Novo, a maioria dos hotéis e restaurantes reabrem para essas 2-3 semanitas de festa. Teve só um único lugar que eu lamentei porque estava fechado: um restaurante com 2 estrelas Michelin em Ravello… Fora isso, não senti falta de mais nada.

Choveu? Em 15 dias rodando por toda a região, peguei 2 dias nublados e meio dia de chuva, que aproveitei para visitar o interior das igrejas e das villas. A Costa Amalfitana com tempo feio perde muito do charme, tem que ficar de olho sempre na previsão do tempo pra poder se programar direito.

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Pra mim, um carro na Costa Amalfitana é artigo de primeira necessidade. “Usufruir de toda e região” e “transporte público”, na minha opinião, são conceitos antagônicos. Só mesmo tendo um carro à disposição para poder ir parando pela estrada para fazer milhares de fotos, das paisagens e dos vários presépios montados em buracos na rocha, só com um carro é possível dormir em Ravello, almoçar em Amalfi e jantar em Atrani…

Mas as estradas que ligam essas cidades…. Eu tive um caso de amor e ódio com elas!

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Logo de cara foi um caso de amor: pegamos a estrada no sentido Sorrento - Positano - Amalfi e cheguei à conclusão de que esse é o melhor jeito pra se chegar na costa amalfitana, por que é o sentido que permite ao carro ficar, a maior parte do tempo, do lado externo da estrada e a vista da janela é fantástica… Ah, um carro conversível por ali…

Depois foi um caso de ódio. Eu odiei com todas as minhas forças aquelas curvas! Bastavam 10 minutos de estrada e o meu estômago já embrulhava, e eu nem sou do tipo que enjoa fácil… e além disso, a ida a qualquer lugar a 10km de distância se transformava em uma viagem de mais de meia hora, com estômago resmungando…

Mas com uma paisagem daquelas, quem se importa com esses detalhes?

5 Fevereiro 2008

Mosteiro de Alcobaça

 Depois de uma semana de sol e calor em Coimbra, onde tive que ficar isolada com meu computador e com meus livros, eis que finalmente chega o final de semana e, com ele, a chuva!

Chegamos em Alcobaça debaixo de uma chuva torrencial, ficamos pelo menos meia hora no carro esperando uma trégua para aquela “corridinha básica” até o interior do Mosteiro… Viajar no inverno tem dessas… (Mas viajar no inverno é sempre melhor do que não viajar, e dentro do mosteiro não chove!)

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Adivinha o que acontece num domingo de manhã num mosteiro? Isso mesmo! Missa e visitas interrompidas na igreja para a celebração! Logo que cheguei, achei que todo o mosteiro estivesse fechado para visitas por causa da missa, mas, felizmente, não.

Pudemos visitar todo o resto tranquilamente e, no final, voltamos para conhecer a igreja…

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O mosteiro de Alcobaça foi fundado em 1153, em estilo gótico, e com o passar dos anos,  foram acrescentados uns “puxadinhos” e o mosteiro foi ampliado e reformado, segundo o gosto da época.

Diz a lenda que nesse mosteiro viviam 999 monges que se revezavam sem interrupções para a celebração da missa.

Mas já no final do século XVIII o mosteiro se torna famoso pelos hábitos, digamos, pouco ortodoxos de seus monges. Beckford, na obra “Alcobaça e Batalha. Recordações de uma excursão” (tradução portuguesa), conta que ficou desconcertado com a “gula eterna” de monges gordos e com olhares lascivos…

Em 1833 a ordem religiosa se desfaz e os monges abandonam o mosteiro (não descobri para onde eles foram nem o que aconteceu com eles…).

Pois bem, o claustro do mosteiro tem dois andares, o do piso de baixo foi construído no século XIVe o piso superior foi acrescentado no século XVI. Normalmente o claustro é a parte de que mais gosto em qualquer mosteiro… Mas, embora esse claustro seja muito bonito e interessante, a cozinha e o refeitório do mosteiro roubaram a minha atenção.

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A cozinha é enorme! Beckford a descreve como “o maior templo de engorda de toda Europa”. Só pra se ter uma idéia, os monges construíram dentro da cozinha um canal ligando um afluente do Rio Alcôa à cozinha a fim de terem peixe fresco a disposição e água a vontade para cozinhar e para a limpeza.

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O refeitório, ao lado da cozinha, também é enorme e possui duas coisas curiosas: a primeira um púlpito de onde a Bíblia era lida enquanto os monges comiam em silêncio; a segunda, uma portinha estreita, estreita (uns 40 cm de largura). Dizem que para entrar no refeitório, os monges tinham que passar por essa portinha, aqueles que não passavam, deveriam jejuar até ficarem magros o suficiente e conseguirem passar!

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(Sabe que não é uma má idéia? Estou pensando em instituir algo semelhante na cozinha de casa…)

A missa acabou bem na hora que terminamos a visita pelo resto do mosteiro. Eu estava curiosa para ver os túmulos de D. Pedro e de D. Inês de Castro, personagens da história de amor mais famosa de Portugal, e imortalizados nos Lusíadas.

Conta a história que o pai de D. Pedro, o rei Afonso IV, não permitiu o casamento do filho com Inês e, a única solução que encontrou para evitá-lo foi matar a coitada. Mas Pedro disse que havia se casado com Inês clandestinamente e a transformou em rainha depois de morta, matando seus assassinos e fazendo com que todos beijassem sua mão já decomposta!

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Os túmulos são verdadeiras obras de arte, ricamente trabalhados com cenas da vida de Cristo e do Juízo Final. Dizem que, por ordem de D. Pedro, os túmulos deveriam ser colocados um de frente para o outro, de modo que, no dia do Juízo Final, eles se encontrem face a face.

30 Janeiro 2008

Vesúvio

 Eu não sei por que, mas de uns tempos pra cá, os vulcões têm me atraído… O ano passado o meu reveillon foi em Taormina, pertinho do Etna… Esse ano, as férias de final de ano foram em Nápoles, ao pé do Vesúvio…

Comecei a desconfiar… De repente meu namorado tá querendo me jogar num vulcão como dádiva a algum deus… Vai saber…

Mas estar perto de um vulcão me traz um misto de excitação e medo e o meu lado criança fala mais alto: “E aquela fumacinha que tá saindo lá?? E se o vulcão resolve entrar em erupção?? Ah… Certeza que não tem perigo?? Então a gente pode subir até o topo do vulcão??”

Foi assim com o Etna, (que infelizmente por causa da neve, não deu pra subir) e foi quase assim com o Vesúvio… Vou confessar: eu tive mais medo do Vesúvio!

Plenamente justificável!!! Quem não tem medo de um vulcão depois de visitar Pompéia e Ercolano e ver todas aquelas casas e pessoas que foram soterradas pela lava e, principalmente, depois de descobrir que a última erupção foi em 1944 e que o vulcão continua ativo?!

Mas a excitação venceu o medo e lá fomos nós!

Sinceramente eu achava que nós seríamos as únicas pessoas no Parque Nacional do Vesúvio, a estrada estava completamente vazia, o Observatório do Vesúvio idem… Nem o Parque tinha muita vida… lava por tudo, pouca vegetação…

Mas chegando quase ao topo, um aglomerado de carros, ônibus de turismo e filas na bilheteria! Uma bela estrutura turística que eu, sinceramente, não estava esperando encontrar: com direito a vendedor de souvenir e tudo! (Detalhe: todas as lembrancinhas eram feitas de lava…)

Antes de comprar as entradas, a moça do guichê foi logo avisando: “São uns 20 minutos de caminhada morro acima…” Pensei com meus botões: será que tem gente que vai até ali e volta por causa dessa caminhada??

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Logo no início da caminhada, tem um tiozinho bem simpático que oferece (gorjetas bem vindas) um cajado para auxiliar na subida. Adorei! Me senti uma peregrina!

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A minha subida demorou mais do que os 20 minutos anunciados… Eu parava a todo momento… Uma coisa é admirar o Vesúvio a partir de Napoli, outra coisa é admirar Napoli do alto do Vesúvio!! Um desbunde! Mesmo com a névoa!

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E eis a cratera! Como aquelas de desenho animado! Grande, redonda e, é claro, com uma fumacinha saindo das pedras… Fizeram um caminho que circunda toda ela, mas quando eu fui, tinha uma parte fechada “para manutenção”.

Lá de cima também dá pra avistar Pompéia e Ercolano… Vendo essas cidades pequenininhas lá embaixo e tão distantes, eu ficava imaginando a força que precisa ter uma erupção vulcânica para que a lava chegue até lá e o desespero das pessoas que foram surpreendidas com a erupção…

A descida de retorno foi bem mais fácil, só uma coisa me chamou a atenção: enquanto descíamos, cruzamos com umas italianas que subiam e diziam que estavam felizes com aquela subida porque ficariam com “bundas de brasileiras”…

17 Janeiro 2008

Arena de Verona

Verona, no meu imaginário e por causa de Romeu e Julieta, sempre foi uma cidade romântica, de amores impossíveis e onde se morre por amor. Tanto que, mal cheguei na cidade, o primeiro lugar que quis visitar foi a Casa de Giulietta. Quanta desilusão! A Casa de Giulietta não tem nada de romântico… Mas mal sabia eu que estava procurando o amor no lugar errado!

Verona é realmente a terra onde se morre por amor, mas é mais fácil se apaixonar na Arena…

A Arena é um enorme anfiteatro romano do século I d.C., que tinha mais ou menos a mesma função do Coliseu: palco para lutas entre gladiadores e espetáculos com animais ferozes. A diferença entre a Arena e o Coliseu é que a Arena ainda é palco para shows e concertos e no verão começa a estação de óperas líricas, sendo Aída a ópera mais famosa e a mais concorrida.

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Eu nunca havia me interessado por óperas, nem sabia que na Arena pudesse existir alguma coisa do tipo, mas quando fui visitá-la, vi um cartaz sobre a programação do mês e me enchi de vontade: imagina que máximo assistir a uma ópera num teatro do século I d.C.?

Fui verificar se ainda tinha algum ingresso por puro desencargo de consciência e, obviamente, já estava lotado desde há muito tempo.

Um pouco frustrada, meu namorado me consolava: “paciência, podemos voltar ano que vem…”

E qual não foi a minha surpresa quando descobri que o meu namorado havia comprado os ingressos com meses de antecedência ! Não é lindo isso? Verona é mesmo um lugar romântico!

E lá fomos nós assistir à ópera que, segundo dizem, foi encomendada a Verdi para a inauguração do Canal de Suez. A minha excitação já começava logo na entrada da Arena, afinal não é todo dia que se assiste a uma ópera num teatro do século I d.C!!

Na entrada, é distribuída uma vela acesa a todas as pessoas da arquibancada e conforme vai anoitecendo, a luz das velas vai se confundindo com a luz das estrelas até o início do espetáculo. Quero dizer, do espetáculo oficial, porque o clima criado com as velas era já um espetáculo por si só.

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Com relação à ópera… Bom, eu adorei tudo, principalmente porque eu estava felicíssima por poder estar ali e estava mais apaixonada do que nunca, nem vi as 4 (isso mesmo, quatro!) horas passarem. Isso porque não dava pra entender nada do que os artistas cantavam… Italiano arcaico e cantado não é pra qualquer um… quem sabe um dia eu chego lá…

Fiz um videozinho do trecho que mais gosto da Aída, fala a verdade, não é lindo?

Na terra de Romeu e Julieta, acabei me apaixonando pelo amor de Aída e Radamés, que foram enterrados vivos, mas juntos!

Ah, uma curiosidade sobre espetáculos em geral na Itália: se você gostou do show, não assobie! O assobio na Itália é o equivalente à nossa vaia… Mas em Verona, pela quantidade de estrangeiros presentes, acho que os artistas sabiam que os assobios queriam dizer: Bravo! Bravissimo!

9 Janeiro 2008

Melhor pizza do mundo?

 Sempre que quero comer uma pizza boa em Nápoles, procuro as pizzarias filiadas à associação da “vera pizza napoletana”, que possui um estatuto e determina exatamente como as verdadeiras pizzas napolitanas devem ser feitas. Confesso que sempre comi pizzas de excelente qualidade nesses lugares, mas tinha uma pizzeria em Nápoles, não associada, que intrigava… Da Michele.

É uma das mais antigas pizzerie de Nápoles e uma das mais famosas. Todo mundo diz que é a melhor pizza da cidade e sua fama chega em Milão. Perguntei a uns 4-5 napolitanos, do concierge do hotel até vendedor de loja e garçon de cafeteria: “onde posso comer a melhor pizza da cidade?”, a resposta vem sempre sem hesitação: Da Michele!

Diante dessas evidências, lá fui eu conhecer a tal pizzaria.

Uma pizzeria simples, no centro de Nápoles e cheio de gente na porta, em plena quinta feira útil, às 15h30 da tarde!

Peguei a minha senha e fiquei do lado de fora pensando com os meus botões: a melhor pizza da cidade deve explicar essa quantidade absurda de gente na porta… e enquanto esperava, divagava sobre o lugar:

“Bom, normalmente as melhores comidas são aquelas feitas em seus lugares de origem, o resto não passa de imitação e adaptação da receita original… A pizza é italiana por excelência, logo as melhores pizzas do mundo são italianas. Nápoles é a terra natal da pizza, portanto, a pizza napolitana é a melhor pizza da Italia. Assim, a melhor pizza napolitana será, seguindo essa lógica, a melhor pizza do mundo… Se Da Michele faz a melhor pizza napolitana, logo Da Michele faz a melhor pizza do mundo!”

Eu sei… é meio viajante esse raciocínio, e não tem muito embasamento científico, mas foi o que conseguiu me convencer a esperar mais de uma hora e meia no frio pra comer uma pizza!

Finalmente chamam a nossa senha, às 17h. A pizzeria é bem feinha, pequena, poucas mesas, um pizzaiolo, um forno a lenha e pizza saindo daquele forno em escala industrial.

O garçon te ignora completamente, aponta dois lugares vazios numa mesa comprida, onde já estava instalada uma familia, joga os talheres e um guardanapo na mesa e pergunta o que vamos comer.

As opções são: pizza margherita ou pizza marinara (em tamanho normal e grande, e com a opção de colocar mais mozzarella na pizza margherita) e pra beber cerveja, refrigerante ou água.

Pedido feito e lá se foram mais meia hora de espera. Só às 17h40 que finalmente consegui ver a cor do que deveria ser a melhor pizza do mundo.

Primeira garfada e chego a conclusão de que a pizza Da Michele é simplesmente… medíocre!

Não sei se criei muita expectativa em relação ao lugar, mas a pizza não tem absolutamente nada de especial. A pizza não é ruim, pelo contrário é boa, mas não justifica mais de duas horas de espera, nem o péssimo atendimento. Já comi pizzas tão boas quanto, em outras pizzarias napolitanas, onde não precisei esperar nem 15 minutos e fui muito bem atendida.

E acredita que quando fomos pagar a conta o garçon ainda teve a cara-de-pau de pedir gorjeta??

O meu raciocínio funcionou apenas parcialmente, porque na minha opinião, a melhor pizza do mundo realmente se come em Nápoles, mas não na pizzaria Da Michele!

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