5 Novembro 2009

Parque Nacional Manu

É claro que toda viagem que faço com o marido, pelo menos um programa de indio tem que existir, senao o marido nao fica contente. E nessa viagem para o Peru, foram dois os programas de indio: a subida ao Huayna Picchu e a visita ao Parque Nacional Manu.

Esse parque é um dos melhores lugares na America do Sul para quem quer observar especies tropicais e foi considerado pela Unesco como Reserva da Biosfera e Patrimonio da Humanidade. E o marido, cujos olhos se iluminam só de imaginar uma exotica “floresta tropical”, mais do que depressa, organizou todo o nosso passeio. Pelo menos ele foi gentil comigo e escolheu o tour com a menor duraçao (2 noites) e a melhor infra-estrutura possivel.

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No dia combinado, o nosso guia veio nos buscar no hotel em Cusco pela manhã e passamos o dia todo na estrada. E que estrada! Buracos, curvas, pontes que pareciam que iam cair a qualquer momento e, para minimizar o desconforto, a cada tanto faziamos uma paradinha estrategica para interagir com a populaçao local.

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Gostei bastante dessas paradinhas. Uma delas foi na casa de uma senhora que fabrica e vende aqueles tecidos de lã bem coloridos. Ela nos explicou todo o processo de limpeza da lã e quais as folhas e ervas que ela utilizava para produzir as cores e tingi-los antes de começar a tecer.

A sua habilidade manual para fabricar aqueles tecidos era incrivel e o seu trabalho era muito bem feito! Mas depois que fiquei sabendo que ela usava urina fermentada para produzir algumas cores, a minha vontade de comprar alguma coisa desapareceu.

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Fizemos tambem uma parada estrategica em Paucartambo, para esticar as pernas. Essa cidadezinha fica super movimentada em meados de julho, quando acontecem as celebraçoes da Virgen del Carmen, com muitas procissoes, fantasias coloridas e muita dança.

Mas quando passamos por lá, Paucartambo era só mais um daqueles vilarejos parados no tempo, com um bar simples que nos serviu o melhor chá de coca da viagem e um “concentrado de café” insolito – era uma jarrinha com um cafe já coado, mas muito forte, e que deveria se misturado com agua quente antes de beber. Experimentei um gole e voltei rapidinho pro meu delicioso chá de coca!

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Quase no final da tarde, finalmente chegamos no nosso “hotel”. Uma estrutura de madeira construida na beira de um rio e bem confortavel, apesar de algumas limitaçoes como energia eletrica disponivel apenas em horarios pre-determinados.

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E o bom é que chegamos bem na hora de avistar os “Gallitos de las Rocas”, a ave nacional do Peru e o que me convenceu a ir ao Parque Nacional Manu sem reclamar… muito! É muito, muito bonito ver varios machos super coloridos cantando e dançando para atrair a atençao da discreta femea – é claro que quem faz o melhor show, leva.

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Depois de ver esse espetaculo da natureza, eu já estava contente e satisfeita com a minha visita a Manu. O dia seguinte, que seria reservado a trilhas no meio da floresta, amanheceu chovendo muito, e debaixo de chuva nao dava pra fazer muita coisa. Quando a chuva deu uma tregua, até tentamos ir para algum lugar, mas aquele lamaçal escorregadio nao foi feito pra mim.

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E vou ser sincera, as trilhas nao me fizeram falta. Enquanto esperavamos a chuva passar, ficamos lendo alguns livros do hotel sobre a fauna e a flora de Manu e aprendi que a vida ali é mesmo riquissima, mas nao é o tipo de vida que me interesse particularmente.

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A fresca aqui gosta de ver bicho bonitinho e os abundantes insetos, repteis e anfibios do parque nao fazem parte da minha lista de “bonitos”. Embora em Manu existam tambem animais como o jaguar, a chance de topar com um desses é minima e, alem disso, eu já tinha dificuldades em ver um elefante no meio da savana africana, imagina se eu iria dar conta de identificar um jaguar no meio de uma floresta fechada!

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No final, acabamos fazendo uma “trilha” (tava mais pra passeio) mais tranquila, proxima da estrada, onde vimos muitos macacos e inumeras aves diferentes e, obviamente, terminamos o passeio revendo o show de canto e dança dos gallitos de las rocas – o ponto alto de Manu, pelo menos pra mim.

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27 Outubro 2009

Palacio de Augustusburg

Como já mencionei uma vez, todo ano o marido vai a Dusseldorf a trabalho e, invariavelmente, eu acabo indo tb para encontra-lo no final de semana. Com a época da viagem se aproximando, me lembrei do primeira (tragica) vez que fui para a Alemanha encontra-lo. Era final de novembro, fazia um frio danado e tanto Dusseldorf quanto Colonia já estavam com o mercadinho de Natal montado e vendendo litros e litros de gluwein.

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Como nem Colonia e nem Dusseldorf é uma novidade para o marido, ele sempre inventa um tour pelas redondezas para ocupar o nosso final de semana. Daquela primeira vez, o tour escolhido foi o Palacio de Augustusburg localizado na cidade de Bruhl, a 20km de Colonia.

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O Palacio de Augustusburg foi  a casa do arcebispo de Colonia, que mandou construir o palacio em 1725, sobre as ruinas de um castelo medieval e acabou se tornando uma obra-prima do rococo e, como toda obra-prima que se preze, era tambem um dos mais belos palacios da época em toda a Alemanha.

E isso é tudo que eu sei sobre esse palacio. As informacoes que estavam escritas num folhetinho em ingles, daqueles distribuidos em hoteis. Frustrante, né?

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Ocorre que nao existe a possibilidade de visitar o palacio por conta propria, com um folheto explicativo ou com um daqueles audio-guia; todo mundo deve necessariamente acompanhar uma visita guiada. O problema é que as visitas guiadas em ingles sao limitadissimas, quase inexistentes, e nao tinha nenhuma disponivel no dia em que fomos. Se quisesse ver o interior do palacio, o jeito era me contentar com a visita em alemao mesmo.

Mas é horrivel estar no meio de um grupo de umas 25 pessoas que riem de piadas em alemao que eu nao entendia, que ficavam impressionados com detalhes da arquitetura apontados pelo guia, que eu, é claro, nao reconhecia e que, muito provavelmente, ficaram sabendo como era a vida naquele palacio naquela época, coisa que eu nem imagino como poderia ser.

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E me dava mais raiva ainda pq o Palacio de Augustusburg é muito particular, possui uma decoracao pesadissima e colorida, e acho que foi um dos palacios mais bregas que já visitei! E por isso mesmo estava curiosa para entender o estilo do lugar… Mas que nada!

Pensei com os meus botoes: vou tentar memorizar tudo da melhor maneira possivel, já que fotografias no interior do Palacio sao proibidas, e depois pesquiso na internet, com certeza esse lugar tem um site oficial! Estamos na Alemanha, ora bolas!

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Sim, o Palacio de Augustusburg tem um site super bom! Inteiro em alemao! Só me serviu para copiar as fotos do interior do palacio para poder ilustrar o post…

E pra piorar, foi só sair do Palacio que comecou a chover muito. Nao deu nem pra visitar o jardim barroco e fiquei sem ver um dos mais autenticos exemplos de jardim europeu do seculo XVIII…

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Da proxima vez quando for encontrar o marido na Alemanha, estou pensando seriamente em retornar a Bruhl… mas dessa vez vou me garantir e levar as paginas da Wikipedia impressas!

23 Outubro 2009

Delos

Chegamos em Mykonos e uma de nossas primeiras providencias foi comprar os ingressos para o barco que nos levaria a Delos. Ainda bem que nos preocupamos com isso, senao teriamos perdido o passeio. Ao contrario da alta temporada, quando são varios os barcos que fazem esse trajeto, no final de abril existe apenas um unico barco por dia, com ida às 10 da manha e retorno às 13 horas. 

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Delos é uma ilha minuscula, desabitada e rochosa localizada bem perto de Mykonos, no coraçao do Egeu. São apenas 5km de comprimento por 1300m de largura, mas o seu tamanho é inversamente proporcional a sua importancia.

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O unico problema é que nós só sabiamos que Delos era um dos lugares mais importantes e sagrados do mundo antigo. Sabiamos que os deuses Apolo e Artemis nasceram ali e sabiamos que o nome “Ciclades” se deve ao fato de que as demais ilhas formam um circulo ao redor da importante Delos. Mas, fora isso, nao sabiamos nada da parte, digamos assim, “pratica” da ilha, ou seja, que tipo de ruinas iriamos visitar .

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E quando se trata de ruinas, saber de antemao o que vai ser visto, pra mim, é essencial, senao a minha ignorancia nao me permite reconhecer o que sao aqueles amontoados de pedras e o que eles significam.

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Chegando em Delos, a nossa salvaçao: junto com os ingressos nos deram um mapinha super bom, com todos os pontos principais assinalados e ainda sugestoes de trilhas pra percorrer, respectivos tempos de percorrencia e descriçoes dos lugares.

Começamos a percorrer a trilha mais longa, mas em sentido contrario, pra evitar os dois grupos que estavam no barco com a gente e foram para o outro lado.

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Começamos o nosso tour pelo “bairro do Teatro”, a regiao onde na Antiguidade habitavam os mais abastados da ilha. Ali encontramos casas que um dia foram realmente suntuosas, com patios cercados de colunas e mosaicos coloridos que na época, segundo o mapinha, era um simbolo de status.

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A Casa de Cleopatra (só não descobri pq recebe esse nome…) nos recebe com as estatuas sem cabeça de seus proprietarios, na Casa de Dionisio existe um lindo mosaico do deus do vinho que cavalga uma pantera e as outras casas, a do Tridente a dos Golfinhos, a das Mascaras, seguem o mesmo padrao luxuoso com mosaicos incriveis no chao.

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 O teatro que dá nome ao bairro e que foi construido no ano 300 antes de Cristo tá bem acabadinho, mas a cisterna ali do lado, que abastecia boa parte da cidade tá quase inteira. Digo que essa cisterna abastecia “boa parte” da cidade, pq segundo o mapinha-guia, os mais ricos possuiam a sua propria cisterna, um item de primeira necessidade numa ilha arida como Delos.

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Depois seguimos para uma regiao com ruinas de ”santuarios de deuses estrangeiros”, e em seguida,  já estava ansiosa,  fomos visitar os famosos leoes proximos ao Lago Sagrado onde, diz a lenda, nasceram Apolo e Artemides, mas infelizmente hj o lago está soterrado para prevenir a reproducao dos mosquitos da malaria.

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Já os leoes de marmore foram doados a Delos pelos habitantes de Naxos, para que servissem de “guardas” ao santuario de Apolo e hj restam apenas 5, cujos originais estao devidamente bem cuidados no museu da ilha.

As ruinas sao fantasticas, mas era desleal a concorrencia com a enorme quantidade de flores que tinha por la.

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Flores de todas as cores e tamanhos que cresciam selvagemente entre um templo e outro dando um colorido todo especial ao lugar. E me dei conta que um dos grupos que estava no barco com a gente nao eram de turistas, mas de mulheres de Mykonos que vao a Delos especialmente para recolher as flores!

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No jantar, em Mykonos, as flores que enfeitavam a nossa mesa no restaurante nos pareceram tao familiar… :)  

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13 Outubro 2009

Trujillo e arredores

Trujillo quase nao entrou no nosso roteiro: seria muito tempo de deslocamento e nao teriamos muito tempo para visitar as atraçoes, ou seja, muito cansaço para pouco aproveitamento. Mas a curiosidade falou mais alto e acabamos decidindo por fazer um “bate-e-volta aereo” super confortavel (e nao muito economico).

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É claro que passar pelo menos uma noite na cidade seria o ideal, mas o nosso bate-e-volta acabou ficando menos corrido e menos cansativo do que estavamos esperando.

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O bate-e-volta foi mais ou menos assim: ficamos hospedados no hotel Ramada no aeroporto de Lima, para pegarmos um voo bem cedo para Trujillo. Chegando em Trujillo, fomos direto ao hotel Libertador para um day-use, onde aproveitamos para tomar um café da manhã legal e em seguida fomos passear pela regiao com o taxista que contratamos.

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No final do dia, voltamos ao hotel para um bom banho, e em seguida fomos passear pelas ruas coloniais da cidade e depois fomos relaxar na colorida e bem conservada Plaza de Armas, antes de irmos ao aeroporto para pegar o voo de volta a Lima.

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O tour que fizemos pelas ruinas da regiao durou umas 6 horas e todos os passeios foram feitos sem pressa, com o acompanhamento e explicacoes dos guias locais, com direito a uma parada numa cidadezinha a beira-mar chamada Huanchaco para almoçar o melhor ceviche que comi no Peru, no restaurante Mococho.

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As ruinas que visitamos foram: Huaca del Sol y de la Luna, Huaca Esmeralda, Huaca Arco Iris e, é claro, a atracao do lugar: Chan Chan.

Chan Chan

Considerada a maior cidade pre-colombiana das Americas, com aproxidamente 60.000 habitantes, Chan Chan foi fundada por volta de 1300 d.C. e foi a capital do reino Chimu até ser conquistada pelos Incas, em 1471, e em seguida, foi destruida e saqueada pelos espanhois.

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Situada em uma das regioes mais secas do mundo, a cidade foi construida inteiramente com “adobes”, tijolos de argila crus, e era formada por nove “cidadelas independentes”. Dessas nove cidadelas, apenas uma pode ser visitada, por causa dos trabalhos de escavaçao arqueologica e restauro.

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A parte visitavel de Chan Chan – antigamente chamada de Complexo de Tschudi e hoje, nao sei pq, mudou de nome e è chamada de Nik An -  é um continuo de muros decorados com motivos geometricos e representacoes de peixes e aves, que com certeza é o que mais chama a atençao dos turistas.

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Confesso que estava mais interessada em saber o que signficavam aqueles desenhos e como foram feitos do que nas explicacoes sobre a planificacao urbana da cidade.

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Infelizmente, uma boa parte desses desenhos sao meras copias plasticas sobrepostas ao original a fim de tentar protege-lo da erosao, pois Chan Chan està na lista de patrimonios da humanidade em risco de desaparecimento.

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Huaca del Sol y de la Luna

Essas huacas (ou lugares sagrados, na lingua quechua) sao 700 anos mais velhas que Chan Chan e foram construidas pelos Moches, outra importante civilizacao pre-colombiana do Peru.

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A Huaca del Sol é uma grande piramide que promete muitas revelacoes sobre a cultura moche, mas que, por falta de verbas, ainda nao foi completamente escavada pelos arqueologos. Um turista enxerga ali tao somente uma montanha de areia que, se nao fosse pelo alerta da guia, poderia até passar despercebida.

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Ali pertinho fica a interessantissima Huaca de la Luna. Essa huaca foi construida num periodo de seis seculos e era um templo que passava de geraçao em geracao e ia sendo ampliado verticalmente de modo a formar uma piramide de cabeça pra baixo.

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Mais ou menos assim: o primeiro que construiu a huaca a fez rica de salas que possuiam ceramicas, metais preciosos e paredes decoradas com desenhos coloridos. Com a morte desse, seu sucessor mandou enterrar tudo e ampliar as paredes externas a fim de construir, nesse “segundo andar” , algo ainda mais rico e imponente.

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O terceiro sucessor fez a mesma coisa: mandou enterrar o que existia, ampliou as paredes externas, e construiu um terceiro andar na estrutura e isso foi feito por seis geracoes.

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Graças a essa tecnica de “enterrar o passado”, Huaca de la Luna possui tudo muito preservado e as cores dos desenhos nas paredes sao ainda muito vivas. É simplesmente espetacular!

Huaca Arco-Iris

Essa huaca é um dos templos chimus melhores conservados pq, segundo o guia, permaneceu soterrado até os anos 60, mas, infelizmente, em 1983, os desenhos nos muros foram gravemente destruidos pelo El Niño.

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Os muros sao completamente coberto com desenhos de arco-iris e dragoes que se repetem, com poucas alteracoes, por todo o redor da huaca. Diz a lenda que essa huaca era colorida, mas a unica cor que restou foram uns fracos pontos amarelos aqui e ali.

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Huaca Esmeralda

Essa huaca, tb da epoca da civilizacao Chimu, é a menor e a menos preservada que visitamos. Foi descoberta por acaso pelo proprietario do terreno onde está localizada em 1923, e acabou recebendo o mesmo nome da fazenda do fulano: Esmeralda.

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Apesar do pessimo estado de conservaçao, ainda dá pra reconhecer os caracteristicos desenhos chimus: desenhos geometricos, aves e peixes.

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O que me chamou mesmo a atençao ali, foi a quantidade enorme de cachorros andinos. Um cachorro feio demais, praticamente sem pelo (alguns tinham um topete branco na cabeça e mais nada) e com uma altissima temperatura corporal, em torno dos 40ºC.

O guia nos explicou que as pessoas consideram esse cachorro terapeutico e o usam como se fosse uma bolsa de agua quente. Coitado do bicho!

6 Outubro 2009

Linhas de Nazca

Ir ao Peru e nao sobrevoar as famosas e misteriosas linhas de Nazca, para mim, era impensavel. Eu jà sonhava com essas linhas desde a minha adolescencia, quando li “Eram os deuses astronautas?” de Erich von Daniken, em que o autor as menciona como sendo obra de alienigenas.

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Realmente as linhas de Nazca sao um misterio. Ninguem sabe quem as construiu, nem o porque da construçao e, principalmente, nem como foram feitos esses desenhos tao precisos, pois só sao “reconheciveis” do alto.

 Alem da teoria de Daniken, existem ainda aqueles que sustentam que os nazcas fossem capazes de construir baloes para observar as linhas do alto,  ou entao que sao figuras  de importancia religiosa, que colegavam os templos, ou entao que sao pistas de corrida… Existem todos os tipos de hipotese, mas nenhuma aceita 100%.

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Uma das maiores estudiosas do assunto, Maria Reiche, atribuiu a “paternidade” das linhas às civilizacoes paracas e nazca, no periodo compreendido entre 900 antes de Cristo até 600 depois de Cristo e, segundo ela, as linhas seriam um calendario astronomico utilizado na agricultura e foram traçadas seguindo sofisticados principios matematicos. Mas o paralelo feito entre o sol, a lua, as estrelas e as linhas de Nazca nao foi suficiente para convencer a comunidade cientifica.

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As linhas de Nazca sao figuras gigantescas que foram desenhadas no deserto peruano, cobrindo uma area de uns 500km2, e, como já disse, para conseguir identifica-las, só mesmo sobrevoando. Nao existem tours terrestres para ver as linhas, pois alem de inuteis – nao dá pra ver nada – sao proibidos – para evitar a destruicao do lugar.

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Os desenhos representados nas linhas de Nazca foram feitos com uma unica linha continua e realizados simplesmente mudando de lugar as pedras do chao; pois na regiao, as pedras sao escuras e o terreno arenoso e claro.

Como na regiao de Nazca a unica coisa que nos interessava era sobrevoar as linhas, nós acabamos fazendo um bate-e-volta a partir de Lima. O objetivo era ir de aviao até Ica, mas nao encontramos nenhuma agencia de turismo que fizesse o percurso a um preço aceitavel, entao acabamos indo de carro alugado com motorista a disposicao e um guia que nos recepcionaria em Ica.

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A viagem foi bem cansativa, tivemos que acordar supercedo para estarmos no aeroporto de Ica às 10h da manha, horario do nosso voo. E’ claro que chegamos no horario certo e è claro que o aeroporto estava fechado por causa do mal tempo.

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Tivemos que esperar até o meio-dia, hora prevista para a abertura do aeroporto. Segundo o nosso guia, é normal e corriqueiro encontrar o aeroporto fechado pela manha. Para passar o tempo fomos visitar o museu de Ica.

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Um museu pequeno e surpreendentemente interessante e com um guia a disposiçao, ficou ainda mais interessante. Aprendemos tudo sobre as civilizaçoes pre-incas, como e pq alguns deformavam os cerebros, as tecnicas de mumificacao, os diversos estilos das ceramicas e tecidos fabricados e vimos coisas que, sem um guia, passaria despercebido, como, por exemplo, a figura de um oriental representada numa ceramica que deixou os arqueologos sem explicacoes: será que os povos antigos no Peru tiveram contato com orientais?

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Depois do museu, voltamos ao aeroporto de Ica com um lindo sol brilhando. Por causa do trafego aereo, todos os voos da manha atrasados, tivemos que entrar numa “fila” e o nosso voo só foi autorizado para as 15h.

Eu já estava ficando impaciente! Mas, para matar o tempo, lá vamos nós passear por Ica de novo. Desta vez, o guia nos levou para visitar a Lagoa Huacachina e comer algumas “tejas”, doces tipicos dessa regiao. A lagoa é bonita, alguns a chamam de “Oasis da America” pois fica no meio de dunas, mas é bonita e só.

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Para passar o tempo, fomos fazer um tour de buggy pelas dunas, muito parecido com aqueles passeios pelas dunas em Natal. Divertido, mas o meu objetivo ali eram as linhas de Nazca e eu já estava tendo um treco, nao conseguia aproveitar mais nada, pois quando o sol se poe, necas de voo sobre as linhas e eu perderia a viagem.

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Preferimos voltar pro aeroporto e esperar por lá. O voo saiu realmente às 15h e foram 30 minutos de Ica até Nazca, 30 minutos sobrevoando as linhas e 30 minutos de retorno a Ica. Ver as linhas de Nazca é algo impressionante! Antes do voo, eu estava pendendo para a teoria da matematica Maria Reiche, depois do voo eu já nao sabia mais no que acreditar e a teoria de Daniken já nao me parecia tao inverossimel assim.

O unico senao desse voo é que o aviao era um teco-teco de 4 lugares e o piloto fazia mil manobras pra lá e pra cá, a fim de que todos pudessem observar bem as linhas de Nazca. Ainda que o aviao fosse dotado daqueles “saquinhos em caso de emergencias”, pra quem enjoa facil nao é um passeio recomendado. E pra quem nao enjoa facil (meu caso), ainda assim convem tomar certas precaucoes antes do voo (o que eu nao fiz), como nao comer nada ou usar um daqueles remedinhos contra enjoo.

Resisti bem os primeiros 15 minutos de voo, depois meu estomago virou de vez, dei vexame e nao consegui aproveitar o resto do passeio. Um outro passageiro foi meu companheiro de vexame e meu marido disse que se o voo durasse mais 5 minutos ele tb nao aguentaria.

Mesmo com todos esses perrengues, essa é uma viagem que eu faria novamente! É inacreditavel!

30 Setembro 2009

Songo Mnara

 No dia seguinte à visita a Kilwa Kisiwani, fomos visitar as ruinas de Songo Mnara, uma ilha localizada a uns 8km mais longe de Kilwa. O meio de transporte para chegarmos lá foi o mesmo “dhow” do dia anterior, com a diferenca que nao tinha mais o fascinio da primeira viagem e nao foi muito simples enfrentar 3 horas debaixo de um sol escaldante e sem ter para onde fugir.

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Chegamos em Songo Mnara e a recepcao da populacao local tb nao foi das melhores. Algumas pessoas da ilha, com cara de poucos amigos, começaram a discutir em swahili com a nossa guia nao sei por qual motivo, mas tive a impressao de que nao éramos bem-vindos. A impressao virou certeza quando pedi para tirar fotos do povoado e recebi um sonoro “nao” como resposta. Paciencia… Aceitei que o objetivo da nossa visita eram as ruinas e nao o povoado…

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Para chegarmos às ruinas, tivemos que atravessar o povoado, depois caminhamos por uns 15 minutos num mangue, dentro de um riozinho no meio de vegetacao fechada. Com o calor que fazia, a agua fresca e limpinha sob pés era deliciosa e eu tentava com todas as minhas forças a pensar somente nessa sensaçao boa, pois o rio estava repleto de animaizinhos estranhos (girinos, lagartinhos e coisas parecidas) e me vinha um ruim só de lembrar que eu estava andando descalça por ali. Espero sinceramente nao ter esmagado nenhum deles!

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Finalmente as ruinas! Como Kilwa, Songo Mnara, entre os seculos XIII e XVI, tambem foi uma rica e importante cidade comercial; quase todo o comercio de ouro, porcelanas chinesas, tapetes persas, etc, do oceano indico passava por ali. Hoje, as ruinas estao quase sendo tomadas pela vegetacao, com baobas enormes que cresceram por todo o lado e raizes que vao se embrenhando, destruindo o chao e entortando paredes.

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 Mas a grandiosidade do lugar fica evidente no chamado “palacio do sultao”. Uma construçao suntuosa, de dois andares, que por uma porta monumental se entra numa sala com um “patio” abaixo do nivel do solo, (que se parece uma piscina) e ao redor, vários comodos menores para os hospedes, cada um com seu banheiro e todas as portas decoradas.

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 Apesar de as ruinas de Kilwa Kisiwani serem mais famosas, achei as ruinas de Songo Mnara mais interessantes e mais variadas. Alem do palacio, existem as ruinas de mesquitas e mais de 50 casas residenciais e algumas coisas que os varios arqueologos que trabalhavam ali ainda estao tentando descobrir o que eram e pra que serviam.

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 Depois de umas 2 horas de tour pelas ruinas, voltamos para o povoado para pegarmos o nosso dhow de volta para Kilwa Masoko. E olha a surpresa: as pessoas, até entao mal encaradas, do nada ficaram simpaticas e sorridentes. Até permitiram que eu fizesse uma foto dos peixes secando na “praça principal” do povoado!

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Logo em seguida entendi o motivo de tanta simpatia… Com um lindo sorriso estampado no rosto, vieram nos pedir carona para o continente, pois o transporte-dhow publico alem de raro é caro (para os padroes deles, obviamente). Pelo menos a viagem de volta foi bem mais divertida que a de ida. As 3 horas passaram bem rapido enquanto estavamos confortavelmente sentados debaixo da sombra da vela do dhow e batendo altos papos com os caroneiros locais.

27 Setembro 2009

Kilwa Kisiwani

A nossa lua-de-mel na Tanzania contou com alguns destinos menos populares entre os turistas e, segundo a nossa agencia de viagens, nao recomendados para casais em lua-de-mel, por causa da falta de infra estrutura. Um desses destinos foi Kilwa.

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Quando pegamos o voo para Kilwa, o aviao estava cheinho de casais. Já estava me sentindo quase “normal” em passar a lua-de-mel em Kilwa quando vi todos aqueles enamorados no mesmo voo. Achei que a agencia tinha exagerado nas recomendaçoes. Doce ilusao… Eu nao sabia que o voo fazia uma escala na ilha de Mafia. Pra ser sincera eu nao sabia sequer que existisse uma ilha chamada Mafia, cujo nome decerto nao é uma homenagem à “cosa nostra”.

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Bom, eu só vi Mafia da janelinha do aviao e me pareceu um lugar paradisiaco, daqueles com areia branquinha, mar azulzinho, corais e, quando me dei conta, o aviao já tinha se esvaziado completamente. Para Kilwa, restaram tao somente uma francesa da Unesco que estava indo a trabalho, uma maluca escocesa que mora no Yemen e nós!

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Na realidade existem 3 Kilwas: Kilwa Masoko, ou “Kilwa do Mercado”, que é a cidadezinha costeira base para quem quer visitar a regiao. Além dos 3 ou 4 hoteis para abrigar os parcos turistas que aparecem de vez em quando por ali, a cidade nao oferece mais nada.

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Kilwa Kivinje,ou “Kilwa das Cassuarinas” (uma arvore comum na regiao), uma cidadezinha que teve seu auge com o mercado de escravos e hoje, segundo o guia, o que sobrou foi uma cidadezinha swahili, com uma mistura de arquitetura colonial alema e arabe . Por uma questao de (falta de) tempo, optamos por visitar as ruinas de Songo Mnara e acabamos nao indo a Kilwa Kivinje.

A terceira Kilwa é Kilwa Kisiwani, ou “Kilwa na ilha”, que é o que atrai os turistas para a regiao.   Ouvi dizer que precisa de uma permissao para visitar a ilha, mas como estavamos com uma agencia de turismo, nao me preocupei com esses “detalhes”. A escocesa que conhecemos ali, que viajava por conta propria nos disse que o hotel havia providenciado tudo sem problemas.

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Pode parece dificil de acreditar, mas Kilwa Kisiwani já foi um dos portos mais importantes do oceano Indico, com o comercio de ouro. Até os portugueses já estiveram por ali, por volta do seculo XVI, e deram sua contribuiçao arquitetonica: uma igreja; que seculos mais tarde foi adaptada pelos arabes e transformada em forte. O nome do forte em swahili é “gereza”, que quer dizer “prisao”. Curiosamente a palavra gereza deriva da palavra “igreja” do portugues e esse forte é a primeira coisa que se avista ainda do mar.

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Mas a atraçao da ilha é a Grande Mesquita que, quando foi construida, no século XV, era a maior de toda a Africa. Na realidade, a Grande Mesquita é formada por duas mesquitas, uma do século XIII que foi alargada e adaptada no século XV, e é possivel observar os 2 mihrabs, cada um de uma epoca diferente.

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Além do forte e da grande mesquita, em Kilwa existem ainda uma mesquita menor que, depois de ter visto a grande, perde um pouco a graça e também as ruinas de Makutani que, segundo o guia, foi um grande palacio. Infelizmente, sem a explicacao do guia, eu nao teria nem notado a existencia dessas ruinas, tamanha a falta de conservacao do lugar, com baobas tomando conta de toda a paisagem.

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Uma coisa legal é que a Unesco está trabalhando bastante para restaurar e preservar esse patrimonio ameaçado de extinçao. Vimos arqueologos por toda parte e tambem a populacao local está sendo orientada para colaborar com a preservaçao de Kilwa Kisiwani. Alem disso, muitos meninos e meninas da regiao estao frequentando uma escola de formaçao de guias turisticos. Os nossos guias eram dessa escola e foram otimos: Ahmed e Jasmina.

Com relacao á infra estrutura… Confesso que estava esperando coisa pior. O hotel era simples, mas confortavel e limpo; o unico senao é que nao tinha agua quente no banheiro. Fizemos todas as refeicoes no hotel e comemos muito bem: peixe e lagosta grelhados fresquissimos e custavam quase nada.

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Nao tivemos problemas com transporte, pois alem das ruinas nao tem mais para onde ir por ali e os transfers de / para o aeroporto foi providenciado pelo hotel. Para chegar em Kilwa Kisiwani só mesmo enfrentando 20 a 30 minutos no mar, dentro de um dhow, uma tipica embarcacao a vela da regiao. Uma experiencia no minimo curiosa que vale pelo por do sol na volta.

8 Setembro 2009

Huayna Picchu

Na viagem a caminho doo Parque Nacional de Manu, logo no inicio da nossa viagem ao Peru, topamos com uma familia sueca que resolveu nos dar muitas “dicas” dos lugares para onde ainda iriamos. Uma delas era: “escalar o Huayna Picchu”. Segundo a tal familia, ”è uma experiencia incrivel, um must do, um lugar impressionante, è o que tem de mais bonito em Machu Picchu, etc, etc, etc..!”

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Para minha infelicidade, o marido se entusiasmou com a ideia e, è claro, me convenceu a ir.

O Huayna Picchu è aquela montanha mais alta que aparece nas classicas fotografias de Machu Picchu, cujo topo està a 2700 metros acima do nivel do mar ou a 360 metros acima das ruinas de Machu Picchu. Mas a dificuldade da coisa nao se limita à escalada nessa altitude e num terreno ingreme e escorregadio…

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O problema maior è que apenas 400 pessoas por dia estao autorizadas a subir no Huayna Picchu, entao o mais dificil è fazer parte desse seleto clube de 400 “felizardos”, pois os ingressos nao sao vendidos antecipadamente. O esquema è: quem chegar primeiro, leva!

Pois bem, os portoes de Machu Picchu abrem às 6 da manha, e às 5h30 a fila jà està se formando… Às 06 em ponto, a fila já está dando voltas e, com certeza, já tem mais de 400 pessoas esperando.

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Sò existem tres modos de se chegar là antes das 06h: a pè, pela trilha inca; dormindo em Aguas Calientes e pegando o primeiro onibus para Machu Picchu; ou entao pagando a exorbitante diaria do Sanctuary Lodge Hotel, que fica bem do ladinho da porta de entrada. Mas nao basta chegar cedo…

Quando os portoes de Machu Picchu se abrem, tem inicio uma corrida desesperada para atravessar as ruinas e pegar um bom lugar na proxima fila. Quem nao fez o dever de casa direitinho e nao estudou o mapinha das ruinas corre o risco de errar o caminho e perder posiçoes preciosas na fila de Huayna Picchu.

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Chegando na tal fila, só resta recuperar o folego e rezar para que nao tenha mais de 399 pessoas na tua frente. Na bilheteria, eles distribuem os famosos 400 “bilhetinhos”, divididos em dois horarios: 200 para a turma das 07h e 200 para a turma das 10h. Quem chega antes, pode escolher o horario que preferir; quem vai chegando depois, pega o que sobrar e quem chega tarde, chupa o dedo.

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A nossa maratona foi assim: nòs dormimos no Sanctuary Lodge, às 5h30 da manha já estavamos na fila, corremos feitos uns doidos com o mapinha de Machu Picchu em maos para nao errarmos o caminho e conseguimos escolher os bilhetinhos para a turma das 10h, mas nossos numeros eram 383 e 384. Por pouco!

Escolhemos a turma das 10h porque toda Machu Picchu estava recoberta de neblina e eu iria me matar – ou melhor, mataria o marido – se eu tivesse que subir tudo aquilo pra nao ver nada!  Aproveitamos para visitar Machu Picchu vazia enquanto esperavamos nosso horario de escalar a montanha e ás 10h em ponto comecou o meu suplicio, quero dizer, o passeio.

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Levamos pouco mais de uma hora para chegar ao topo, contando as muitas paradas estrategicas para tomar agua, respirar e tirar fotos. Nao é dificil subir Huayna Picchu, o problema é que os “degraus” escavados na rocha sao muito irregulares e muito ingremes e cansa bastante. Mas é só ir devagar e parando pelo caminho que até uma sedentaria e fresca como eu consegue.

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                    Gostei de ter subido no Huayna Picchu simplesmente porque a minha curiosidade sempre falou mais alto que a minha frescura e eu nao admitiria ir até lá, ter a oportunidade de subir e acabar voltando pra casa com a eterna duvida: “Será mesmo que o lugar é tao impressionante assim?”

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A vista lá de cima é bem bonita e as ruinas que ficam no topo sao interessantes, mas sinceramente nao achei que a relacao custo-beneficio valha a pena. É muito cansaco pra pouco aproveitamento.  O marido, é claro, tem uma opiniao bem diferente da minha. Pra ele, a escalada valeu muito, adorou tudo, foi impressionante, um must do, etc, etc, etc…

No final das contas, acho que o grau de satisfacao com Huayna Picchu será diretamente proporcional ao preparo fisico de quem o escala. Provavelmente eu teria adorado o lugar, se nao estivesse com a lingua de fora e com medo de escorregar o tempo todo.

7 Setembro 2009

As portas de Zanzibar

Uma das primeiras coisas que atrai a atencao de um turista em Zanzibar – e eu nao fugi à regra - sao as portas de madeira entalhadas que estao por toda a cidade: do palacio do sultao a lojas, hoteis e atè mesmo ilustres casas desconhecidas, muitas vezes caindo aos pedaços.

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As portas representavam o status e a riqueza do proprietario da casa e, diz a lenda, que primeiro mandavam construir a porta para sò depois começarem a construir a casa.

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De acordo com o nosso guia em Zanzibar, as portas quadradas sao tipicamente arabes e as portas com um semicirculo no alto seguem o estilo indiano.

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As decoraçoes pontiagudas presentes nas portas, tb segundo o nosso guia, serviam para proteger a casa do ataque de elefantes.

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Mas acontece que em Zanzibar nao existem elefantes! A decoraçao è uma tradicao que veio da India e acabou caindo no gosto dos habitantes.

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Nao preciso nem dizer que 90% das minhas fotos em Zanzibar sao de portas, nè? Eis mais algumas:

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3 Setembro 2009

Parque Nacional de Incisoes Rupestres

Certa vez numa dessas conversas de bar relembrando a infancia, o marido e alguns amigos italianos comentaram sobre a viagem com a escola que todo milanes faz: visitar as incisoes rupestres de Capo di Monte quando estao aprendendo sobre a pré-historia.

Epa! Eu nao passei a infancia na Italia, eu nao tenho ideia de que incisoes sao essas! E, com isso, acabamos trocando um final de semana à toa em casa por uma “viagem escolar” a apenas 120km de Milao.

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A viagem pode ser feita em um bate-e-volta de Milao, mas nós decidimos dormir num B&B ali perto porque o melhor horario para se visitar o Parque Nacional de Incisoes Rupestres é pela manha, quando o sol incide diretamente sobre as rochas incisas e os desenhos ficam bem mais evidentes.

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O Parque, localizado em Naquane na Valle Camonica,  é o que oferece a maior concentraçao de arte rupestre da regiao e o seu interno é formado por um lindo bosque e 104 rochas ricamente incisas. Olhando rapidamente e de longe nem dá pra imaginar que aquelas pedras, aparentemente lisas, estao cheinhas de desenhos pre-historicos.

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Chegando mais perto as rochas começam a apresentar “irregularidades” na superficie entao lisa e, olhando mais de perto, prestando atençao, dá pra ver que as tais irregularidades na verdade sao milhares de incisoes com desenhos que fazem sentido.

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As imagens, reais e simbolicas, representam a vida cotidiana e o mundo espiritual dos habitantes da regiao e a maior parte das incisoes foram feitas na Idade do Ferro (por volta de 800 anos antes de Cristo)

Mas existem incisoes que vao desde o Neolitico (V-IV milenio antes de Cristo) até a época romana (seculo I a.C até o século IV d.C).

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Nós preferimos contratar um guia para nos acompanhar pelo parque, pois a nossa visita seria “escolar”, mas tambem dá pra se divertir sozinho por ali sem nenhum problema.

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Na entrada do parque o visitante recebe um mapinha indicando as rochas principais, 5 percursos para seguir, num total de uns 3km, e as rochas mais significativas possuem um painel didatico ilustrando os desenhos principais e sua tematica.

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Como é um destino tipico de crianças em viagens com a escola, quem quiser passear por um parque mais tranquilo e admirar as incisoes em santa paz, deve escolher um final de semana ou em epoca de ferias escolares para visita-lo.

2 Setembro 2009

Marmore de Carrara

Adoro a “variedade turistica” que a regiao da Toscana na Italia oferece. Alèm das classicas cidades historicas, dos castelos medievais em meio a vinhedos e dos campos de girassois (pra quem tem sorte de ve-los), è na Toscana que se localizam as jazidas do famoso marmore de Carrara. E eu nao sabia que fosse possivel visità-las!

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Descobri apenas quando já estava passeando em Forte dei Marmi e, por puro acaso, no hotel, eis que me deparo com uma propaganda de uma agencia de turismo que faz passeios guiados às tais famosas jazidas. 

O tour da agencia era de meio periodo e incluia uma serie de coisas que eu nao estava disposta a pagar, como por exemplo o transporte e o almoço, mas serviu como ideia para um programa diferente e como inicio das minhas pesquisas.

O tour da agencia era de meio periodo e incluia uma serie de coisas que eu nao estava disposta a pagar, como por isas.

 

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Com a ajuda do Google descobri que existem 3 tipos de “cave de marmo”, as feitas ao ar livre, escavando a parte externa da montanha; as em forma de poço, em que se abre um buraco no chao e vao escavando o marmore em profundidade; e as chamadas galerias, em que abrem um tunel atè o meio da montanha e vao escavando tudo por dentro atè deixar a montanha, digamos assim, “oca”.

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As jazidas externas podem ser vista por toda a estrada: montanhas branquinhas todas recortadas. Uma paisagem bem diferente e bonita! As de poço eu nao encontrei quase nada, mas confesso que nem procurei muito, pois estava interessada mesmo em ver as galerias.

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Depois de procurar a melhor opcao, resolvemos visitar a cava “Fantiscritti”  principalmente porque nao precisava agendar horario, como acontece com a maioria das outras cave que encontrei, basta chegar ali, comprar o bilhete e esperar um pouco; tem visitas guiadas a cada meia hora. Alem disso, segundo o site, essa galeria jà foi palco para a apresentaçao da Lamborghini e da Maserati e tambèm para desfiles de moda, o que significa que no minimo deve ser bem bonita.

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Chegamos ali e logo entramos em uma van que nos levou por 600m em um tunel estreito e escuro atè chegarmos em um salao enorme, inteiro de marmore branco statuario, do chao ao teto. Bellissimo! Muito impressionante e monumental!

Essa parte da jazida nao è mais explorada pq existe um limite de segurança para a extracao dos blocos a fim de evitar que a montanha inteira desabe, entao resolveram aproveitar a beleza natural do lugar, colocaram algumas obras de arte para decorà-la e é nesse salao onde acontecem os eventos.

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Foto roubada despudoradamente do site www.marmotour.com

Apesar do friozinho (a temperatura media na cava é de 15ºC) e da umidade um pouco desconfortavel (tinha muita goteira), fiquei imaginando o impacto à primeira vista de um evento ali: dar de cara com uma caverna de marmore branquinho com uma Lamborghini no meio deve ser um espetáculo!

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Depois do “salao de eventos”, fomos visitar a parte ativa da cava. Nao è bonita como o salao, mas achei mais interessante, pois o guia explica muito bem a parte “técnica” do lugar e discore sobre os varios tipos de marmore, como os blocos de marmore sao extraidos, como funcionam as maquinas que estavam ali (fui em epoca de ferias dos funcionarios, tava tudo parado, mas, segundo o guia, as visitas tb sao feitas com tudo funcionando).

A visita durou uns 40 minutos e eu estou me odiando atè agora por ter esquecido a maquina fotografica. Tive que me virar com a camera do celular… Uma pena que as fotos do site nao estejam muito melhores dos que as minhas.

15 Julho 2009

Visita aos Masai

Os Masai sao um grupo etnico de seminomades africanos que vivem no norte da Tanzania e no Quenia. E o que os distingue dos demais grupos ètnicos è a cor vermelha sempre presente, ainda que em pequenos detalhes, nas suas vestimentas, os lobulos das orelhas alargados por causa daqueles brincos enormes, e as caracteristicas casas feitas de troncos de arvore, barro e esterco.

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Os Masai tambem sao conhecidos pela realizacao de cerimonias para a circuncisao e para a remocao do clitoris, quando os garotos e garotas atingem a puberdade. Diz a lenda que essa cerimonia de remoçao do clitoris jà nao existe mais… Quero acreditar nisso…

Quando a agencia de turismo que estava organizando nossa viagem à Tanzania nos propos uma visita aos Masai, num assentamento proximo a Ngorongoro, me enchi de duvidas. Aquilo estava me cheirando um daqueles tourist trap dos bravos e ainda por cima, nao me sinto à vontade de visitar pessoas como se estivesse visitando os animais do parque.

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Mas a curiosidade acabou falando mais alto e decidimos pagar pra ver. E pagamos caro, pois nao basta pagar o tour para a agencia, tem que pagar tambem para o Masai que vem te recepcionar na entrada do assentamento! E isso nòs sò fomos descobrir na hora!

Mal chegamos no assentamento e um simpatico Masai vem nos receber. Depois do “welcome”  a segunda frase foi: “A visita custa 50 dolares por carro, que devem ser pagos pra mim e antes de comecarmos a visita”.

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Achamos um absurdo e, antes de desembolsar alguma coisa, esperamos um pouco e fomos perguntar a outros grupos de turistas se eles tinham pagado alguma coisa e o valor. As respostas foram unanimes: 50 dolares por carro! E jà que a extorsao era generalizada e jà que estavamos ali mesmo… pagamos.

No inicio eu tinha aquele ruim no coracao de ver tanta miseria, mas depois fiz algumas contas e, por causa desses 50 dolares, acabei mudando o meu modo ver a miseria ali. Sao 50 dolares por carro X 30 carros por dia em media (informacao recebida pelo proprio Masai, mas eu acho que sao mais de 30… chegaram 6 carros na meia hora que fiquei por ali) sao 1500 dolares por dia e 45 mil dolares por mes. Ainda que eles sò recebam turistas por 3 meses num ano, a media è de 11250 dolares por mes. Onde eles enfiam esse dinheiro eu nao sei, ninguem soube me informar…

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Mas a visita foi interessante. Depois que todos os turistas presentes pagaram os 50 dolares, os Masai cantaram e dançaram segundo suas tradiçoes, revezando danças e cantos sò masculinos, sò femininos e todos juntos, inclusive com crianças participando.

Em seguida, o nosso guia Masai nos explica um pouco sobre a cultura de seu povo (as informaçoes do inicio do post foram dadas pelo guia), explica a estrutura do assentamento, como sao as casas por dentro, qual è o lugar onde ficam as cabras, o lugar onde ficam os bois, a escolinha das crianças…

Essa escolinha è um teatro. Sao umas 10 criancas, de uns 4-5 anos, com sorrisos capaz de amolecer o mais duro dos coracoes, e que ficam “lendo”, em ingles, os numeros e as silabas que uma outra crianca aponta no quadro-negro. Deve fazer uns 30 anos que ninguem apaga aquele quadro e essas pobres crianças, que sabem de cor todas as silabas, devem ser incapazes de junta-las para formar uma palavra.

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No final da visita, a infalivel visita as barraquinhas de artesanato masai. Eu tinha me interessado por uma miniatura do colar que eles usam, feito em miçangas, que se transformariam em um ima para a minha coleçao.

Mas quando perguntei o preco, me responderam: 40. Achei que fosse 40 shillings, e nem me preocupei com a conversao… Ledo engano, eles queriam 40 dolares por aquela porcaria! Devolvi na hora e comecei a voltar pro jipe para irmos ao hotel. Nesse trajeto, o preco caiu para 5 dolares, mas achei um abuso a cara de pau do vendedor e nao comprei nada.

E afinal, valeu o passeio? Apesar de ser um classico “tourist trap”, valeu. Foi bem curioso e diferente.

Recomendo? Sò para aqueles que tenham 50 dolares sobrando e muita curiosidade.

14 Julho 2009

Parques na Tanzania: ficha técnica

Como nós fomos para a Tanzania de lua-de-mel, deixamos a organização da viagem numa agencia de turismo. Apesar de ter sido uma viagem bem $algada (a Tanzania è jà um destino caro por excelencia e digamos que contratar uma agencia nao barateou as coisas), foi uma experiencia incrivel!

De qualquer modo, se eu tivesse que organizar essa viagem por conta propria, eis o que eu gostaria de saber antes de partir:

QUANDO IR: A melhor época é o periodo de seca que vai de junho a setembro, principalmente por causa dos mosquitos, abundantes com o tempo umido. Nao da pra esquecer que a malaria é uma doenca seria e muito comum por lá.

 Julho e agosto sao considerados altissima temporada e como nao existe uma limitacao de quantidade de pessoas admitidas dentro dos parques, vc acaba vendo mais gente do que bicho, principalmente em Ngorongoro.

ONDE FICAR: No melhor hotel do lugar e dentro dos limites do parque. Vai custar uma fortuna? Vai! Mas quanto mais pobre é o país, mais rica deve ser a acomodação.

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Nós ficamos só em estruturas consideradas de luxo e, apesar de termos um quarto espacoso e todos os mimos que um hotel de luxo pode oferecer, a energia elétrica e a agua quente e encanada eram racionadas. Olha o nivel do funcionamento do chuveiro de um dos hoteis: um bolsao de 30 litros que era enchido com agua quente, quando solicitado.

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Pra piorar, vc fica completamente dependente da estrutura e dos servicos do hotel, pois nao tem pra onde fugir, entao, no minimo, o hotel deve ser confortavel e deve oferecer os servicos que cada um considere essencial para a viagem.

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ONDE COMER: No hotel. Nao existe alternativa, a cidade mais proxima, com um minimo de infraestrutura, ficarà a uns 200km de distancia… Entao, ou voce come o que o hotel servir, ou vc nao come. Simples assim!  A qualidade da comida é um outro bom motivo para escolher o melhor hotel do lugar.

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 O QUE COMER: Os hoteis só servem cozinha internacional: carne (de boi, de frango, de cabrito…) com batatas em suas mais variadas formas; ou ainda macarrao com os tradicionais molhos a bolonhesa ou de tomate; e a infalivel sopinha de entrada.  A vantagem é que ninguem morre de fome e nem reclama da comida, mas, pra mim, é uma super desvantagem, pois tive pouquissimas oportunidades de experimentar a culinaria local.

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Num dia em que o menu previa macarrao, nòs insistimos com o chef para que ele nos preparasse alguma coisa de africano, afinal, macarrao a gente come em casa. O chef ficou lisonjeado com o nosso interesse pela cultura local e disse que nos prepararia uma surpresa. Foi mesmo uma surpresa quando o prato chegou: arroz, feijao, banana frita, quiabo e frango assado! 

Em uma outra oportunidade, tambem pq insistimos com o chef, experimentamos “ugali” um tipo de tapioca servido com um picadinho de carne de cabrito. Melhor do que todas as carnes com batata que tinhamos comido até entao.

A minha frustraçao foi nao ter experimentado o tal “porridge”, que os nossos guias diziam ser o “prato nacional”. Infelizmente os hoteis nao o propoem para turistas… Só vi porridge sendo vendido por ambulantes nas ruas de Zanzibar e, para o bem do meu sistema digestivo, achei melhor nao arriscar.

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Uma coisa legal que os hoteis fazem sao almocos dentro dos parques, quando o safari è mais longo; ou os aperitivos ao por do sol no final de um safari. Juro que, vendo hipopotamos no rio ou elefantes cheirando o que nos tinhamos de bom pra comer, ou ainda leopardos numa arvore proxima sò esperando se sobrava alguma coisa… nem me lembro se a comida era boa ou nao.

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O QUE FAZER: Quem vai para um parque na Tanzania tem um único interesse: ver o maior numero de animais selvagens possivel. Mais uma vez, o hotel assume um papel importantissimo: se o hotel estiver dentro do parque, vc corre o serio risco de encontrar zebras, girafas, bufalos, macacos, passeando livremente pelas dependencias do hotel.

Excluindo os safaris, nao tem mais nada pra fazer, a nao ser relaxar no hotel (mais um motivo para investir num hotel legal).

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Os safaris sao feitos normalmente bem cedo de manha e no final da tarde, por causa do calor. Os dias em que eu acordava mais tarde era por volta das 7h, mas normalmente o despertador tocava por volta das 5h30.  

A janta é servida por volta das 19h30 e quando escurece, os hospedes sao proibidos de andar pelo hotel desacompanhados para evitar “acidentes” com predadores.

Uma noite não conseguimos dormir por causa da gritaria de macacos bem do lado da nossa janela e, na manhã seguinte, descobrimos que os macacos gritavam pq tinha um leopardo tentando come-los!

Os Safaris: Nos melhores hoteis, os safaris estao incluidos no preco da diaria e, mais uma vez, quanto melhor o hotel, mais bem preparado será o guia. Como os parques permitem a entrada de qualquer um, com ou sem guia,  e como os hoteis mais em conta nao incluem o safari na diaria, convem ter muito cuidado com guias picaretas que querem ganhar dinheiro às custas de turistas desavisados.

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Alem disso, um bom guia contribui muito para o sucesso do safari, pois Parque Nacional não é jardim zoologico e precisa ter um olho muito bom para avistar os animais. Pode parecer absurdo, mas para quem nao é preparado, fica dificil até enxergar um elefante ou uma girafa no meio da savana, e de longe eu sequer conseguia saber se aquele ponto preto era um avestruz ou um bufalo… 

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COMO SE LOCOMOVER: Para ir de um parque a outro a melhor opçao é pegar um aviao. Quando eu digo aviao, eu estou sendo muito simpatica, na realidade só existem teco-tecos com capacidade maxima de 12 passageiros. E nao tem nem como ser diferente, pois os “aeroportos” são formados basicamente por uma pista de terra, um espaco para estacionar os jipes que farao os transfers até os hoteis e uma construçao bem basica onde fica o encarregado de cobrar as taxas de entrada nos parques e que nao tem a menor ideia da situaçao dos voos. Detalhe: eu só vi banheiro em 1 “aeroporto” e nao tinha agua.

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Nos usamos muito a Coastal Airlines e usamos a Regional Air uma vez. Nao percebi nenhuma diferença entre elas… Ambas foram pontuais e usam o mesmo tipo de aviao.

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Dirigir por conta propria é algo para se evitar a todo custo. A Tanzania é adepta da mao inglesa e as estradas sao cheias de gente, principalmente crianças, varios animais domesticos e alguns animais selvagens (topamos até com um filhote de hipopotamo na beira da estrada do lado da cidade de Babati) e nao possuem nenhum tipo de sinalizaçao. Ah, e a maioria das estradas são de terra e em pessimo estado de conservacao, é claro.

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Para chegar no hotel a partir do aeroporto, ou qualquer outra viagem via terrestre, o ideal é pegar um transfer com o proprio hotel ou contratar um carro com motorista em alguma agencia de turismo local. Nao existem taxis ou qq outro meio de transporte nos aeroportos dos parques.

Mas, fora dos parques, para quem gosta de aventura, tem muuuuito tempo a disposicao, e quiser arriscar, o “dala-dala” é o transporte publico mais usado pelos locais. É um tipo de microonibus, caindo aos pedaços, sempre lotado de gente e de coisas penduradas, que liga as principais cidades do pais.

O QUE USAR: Na Tanzania, a temperatura e os mosquitos ditam a moda. A roupa tem que ser leve por causa do calor, mas comprida por causa dos mosquitos e de cor clara por causa dos dois. Mas uma vez, precaucao contra a malaria nunca é demais, nao existe vacina ou remedio 100% eficaz na prevencao e a unica maneira de evitar a doenca è evitar a picada do mosquito.

 Para os safaris, principalmente aqueles feito a pé, o sapato deve ser muito confortavel e resistente. Sapato pra caminhar no meio do mato, pisar em caca de elefante, encher de  “picao“… 

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Para jantar no hotel, um sapato fechado e confortavel também é a melhor pedida. Os hoteis, apesar de luxuosos, sao rusticos e isso quer dizer que entre o quarto e a sala de jantar vai ter uma ou estrada de terra, ou com muitas pedras e é claro cheio de formigas, lagartixas, besouros e outros animais daqueles que, de noite, ficam invisiveis. 

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E apesar da Tanzania ser bem proxima do Equador, a época da seca coincide com o inverno e a diferenca de temperatura entre o dia e a noite é consideravel. É bom ter uma blusa quentinha na mala por causa dessas variacoes termicas.

Em Ngorongoro, que fica a 2700m acima do nivel do mar, é bom ter duas blusas quentinhas na mala! Lá faz frio de verdade de noite; nós pegamos temperaturas em torno a 10ºC – 12ºC.

O QUE LEVAR: 

- protetor solar, chapeu, oculos escuros e qualquer outra coisa necessaria para se proteger do sol forte.

- repelente contra mosquitos: quanto maior a porcentagem de DEET, melhor o resultado. O nosso tinha 15% de DEET e às vezes eu tinha a impressao de que os mosquitos riam de nós… Conhecemos uma escocesa que usava um repelente 50% DEET, ela disse que funcionava bem, mas as partes plasticas do seu relogio derreteram…

- maquina fotografica com um zoom super poderoso: fiquei com muita raiva da minha compacta, a coitada nao dava conta de tirar fotos decentes dos bichos. Esse é o tipo de viagem em que eu nao me incomodaria de carregar uma mala extra para uma maquina fotografica boa e seus apetrechos volumosos.

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Tà, eu confesso que a maior parte das fotos tremidas nao foram culpa da maquina.  Mas nao è todo dia que eu me deparo com leoes a poucos centimetros de distancia…

- farmacia completa e vacinas em dia: Nós resolvemos seguir à risca as recomendacoes do medico e tomamos vacinas contra hepatite, tifo, tetano, febre amarela, etc, tomamos direitinho o remedio para prevenir a malaria e também levamos os classicos remedios para  dor de cabeca, diarreia…  Felizmente nao precisamos usar nada! Nao tivemos nem um mal estarzinho pra contar a historia! Mas se precisassemos, seria um problema encontrar remedio por ali.

- lanterna: essa eu esqueci de levar e tive que arrumar as malas no escuro, pois, como já disse anteriormente, energia eletrica é artigo de luxo até em hotel 5 estrelas.

13 Julho 2009

Safaris por terra, ar e agua

Parque Nacional na Tanzania e o que nao falta e fica atè dificil de escolher qual visitar. No inicio a empolgaçao toma conta e dá vontade de incluir todos no roteiro.  Mas em seguida vem a duvida: Serao todos iguais? Os mesmos elefantes e girafas que vou ver em um, vou encontrar no outro? Vale a pena visitar mais de um??

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Vale!!! Mas tem que saber escolher, senao a chance de cair na mesmice é realmente enorme! Nós passamos por 4 parques nacionais e cada um com suas caracteristicas e pontos de força.

KILIMANJARO NATIONAL PARK – A PÉ!

Confesso que a minha ida ao Kilimanjaro National Park foi mais curiosidade de ver de perto o famoso vulcao do que qualquer outra coisa. E juntando a curiosidade àquela velha historia: “Já que o aeroporto por onde chegamos era o “Kilimanjaro International Airport”… Já que estavamos ali pertinho… Por que nao aproveitar?”

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A visita foi super interessante, pois foi nosso primeiro contato com a vida selvagem. Além de ver muitas girafas, zebras e antilopes de todos os tipos, topamos com manadas e manadas de elefantes, familias inteiras passeando como se nós nao existissimos, tomando banho num laguinho, comendo tranquilamente, se coçando em arvores…

Esse parque foi onde mais vimos elefantes. Em nenhum outro parque vimos tantos assim, tao perto e tao “nem-aì” pra gente! E também foi o unico parque onde fizemos um safari a pé.

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È incrivel! Alem da emoçao de caminhar perto dos bichos, e se sentir muito vulneravel por isso, teve tambem a parte cultural (o real objetivo do safari a pé), em que o nosso guia nos mostrava e nos ensinava como interpretar os vestigios deixados pelos animais, de pegadas a folhas mastigadas, passando, é claro, por todos os tipos de fezes.

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Mas na realidade, ninguem vai ao Kilimanjaro NP para ver vida selvagem, (embora ela exista em abundancia), a atraçao maior do parque é fazer trekking no Kilimanjaro, a montanha mais alta da Africa e uma das vistas mais espetaculares de todo o continente:  um calor infernal do Equador e neve no topo (infelizmente, dizem as pesquisas que de 1912 até hoje, a neve diminuiu em 80% e que até 2020 não existirá mais…).

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Como trekking nao faz meu estilo, fiquei contente com os animais que vi e com os safaris a pé que fizemos… Uma pena que ver o Kilimanjaro que é bom… Nada! As nuvens nao permitiram…

NGORONGORO CRATER – NA CRATERA DO VULCAO!

O fantastico desse parque é que ele esta localizado numa caldera. A mesma coisa que aconteceu em Santorini – erupcao vulcanica seguida de desmoronamento do topo do vulcao e formacao da caldera - aconteceu em Ngorongoro, mas como Santorini é uma ilha, a cratera se encheu de agua. Em Ngorongoro, ao contrario, a cratera ficou seca e os animais a adotaram como casa.

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 A paisagem desse parque é inacreditavel, as bordas da caldera sao bem definidas e bem visiveis e dá a impressao de estarmos entrando em uma grande “panela”. Em nao bastando, esse é o parque com a maior densidade demografica de predadores do mundo.

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Aliás, Ngorongoro chega quase a ser um jardim zoologico de tanto bicho que tem ali e que quase nao escapam por causa das “paredes” da caldera.

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Nos conseguimos avistar os Big 5 em uma tarde! Inclusive o famoso, raro e arisco rinoceronte preto. (Esse nòs vimos bem de longe, mas tà valendo mesmo assim!).

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O unico “senao” è que por se tratar de um espaco bem delimitado, a densidade demografica de turistas tambem è muito elevada. Basta alguem avistar um leao e jà junta uns 5 ou 6 jipes ao redor do pobre animal.

 SERENGETI NATIONAL PARK – DE BALAO!

Depois de Ngorongoro, Serengeti è o parque mais visitado da Tanzania. Mas por se tratar de uma area muito extensa, os turistas sao mais rarefeitos e, apesar da tambem enorme quantidade de vida selvagem, os animais ficam mais “espalhados” e  è preciso realmente um olho treinado para enxergar uma leoa que dorme tranquilamente na savana, depois do almoço…

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Mas Serengeti è famoso pela migracao de zebras e de milhoes de gnus, que atraversam o parque todos os anos em busca de comida fresca, nas poucas areas verdes restantes, depois que a epoca das chuvas acaba. E nesse parque acontece tambem a migracao dos turistas para os hoteis mais proximos da rota migratoria dos gnus.

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A melhor maneira de avistar a migracao è do alto e, por isso, as viagens de balao em Serengeti sao concorridissimas e obrigatorias para quem visita o parque. 

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Quando estivemos em Serengeti, a migracao estava um pouco atrasada e, segundo o “piloto” do balao, nao tinha muito bicho na rota. Eu achei que tinha uma quantidade absurda de animais, nao sò de gnus e zebras, mas tambem de girafas, bufalos, antilopes… E que, mesmo sem nenhum animal, teria valido a pena o passeio mesmo assim. O nascer do sol na savana africana è demais!

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Depois do passeio, quando contamos ao nosso guia que o piloto do balao havia comentado sobre a escassez dos bichos, ele se prontificou a nos levar para um lugar a 1 hora e meia de distancia de onde estavamos, para vermos os animais “atrasados”.

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 Eu nunca vi tanto bicho junto!!! Eram milhares e milhares de gnus juntos, tinha gnu atè onde a vista alcancava! No meio daquela quantidade infinita de gnus pude entender a grandiosidade da migracao e o que o piloto do balao quis dizer com “poucos animais”.

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SELOUS GAME RESERVE - BOAT SAFARI

Esse parque foge completamente do ”estilo savana de ser” dos outros parques. Selous é cortado pelo rio Rufiji e tem 3 grandes lagos que, mesmo na estaçao seca, permanecem com agua. E com isso a vegetaçao foge do tradicional relva-baixa-seca-amarela da savana e a paisagem ganha arvores mais altas, muito verde e atè os baobabs tinham folhas.

parque selous4

Talvez por conta dessa densa vegetaçao, o parque seja negligenciado pela maior parte dos turistas, pois a visualizaçao dos animais em Selous nao é tao obvia. Pelo contrario, è bem dificil diferenciar um tronco de arvore de um animal, ou deduzir que aquilo que esta se mexendo nao é uma folha no vento.

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E por causa de toda essa agua presente em Selous, a atraçao principal do parque sao os “boat safari”. Poderia atè me sentir no Pantanal, se os animais nao fossem tao diversos…

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O rio estava cheio de hipopotamos e crocodilos de todos os tamanhos e, nas margens vimos milhares de passaros aquaticos pescando, macacos brincando e outros animais que apareciam sò para saciar a sede. E isso tudo com o sol se pondo na agua! A beleza é indescritivel!

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E eu que achava que safari fosse tudo igual…

9 Julho 2009

Tanzania: nosso roteiro

O maior atrativo da Tanzania são seus parques nacionais e a rica fauna que eles abrigam e esse era o nosso objetivo principal com a viagem.

Se nós nos contentassemos em visitar tao somente os parques, teria sido realmente a lua-de-mel perfeita: hoteis rusticos, mas muito confortaveis, safaris durante o dia e nada pra fazer durante a noite – exceto beber uma garrafa de um excelente vinho sul africano e namorar muito.

Mas nós inventamos de incluir no roteiro uma visita a pinturas rupestres prè-historicas localizadas em Kondoa (traduzindo: no meio do nada, perto de lugar nenhum) e tambem umas ruinas portuguesas e arabes em Kilwa, da época em que a regiao era importantissima para o mercado de escravos.

Esses dois lugares fogem do “turismo padrao” da Tanzania, e portanto nao existem hoteis, nem restaurantes, nem nada… No maximo “guesthouses low profile” , com “chuveiro” de agua fria, o que, convenhamos, nao é exatamente o sonho de consumo para uma lua-de-mel. Mas adoramos a experiencia mesmo assim.

No final das contas, eis o nosso roteiro:

- duas noites no Kilimanjaro National Park,
- duas noites em Kondoa,
- duas noites em Ngorongoro Crater,
- duas noites em Serengeti National Park,
- duas noites em Selous Game Reserve,
- duas noites em Kilwa e
- 3 noites num hotel de praia, proximo a Dar Es Salaam, com direito a um bate-e-volta aereo a Zanzibar para visitar a Stone Town.

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Se eu tivesse que alterar alguma coisa, eliminaria uma noite na praia para acrescentá-la a Zanzibar, mas nada de grave, o bate-e-volta foi suficiente para rodar por toda parte historica da cidade.

E como eu ainda nao consegui organizar minhas fotos, para ilustrar o post fica um videozinho do filme “O Rei Leao” com a unica frase em Swahili (lingua oficial da Tanzania) que eu conhecia: HAKUNA MATATA!