Ir ao Peru e nao sobrevoar as famosas e misteriosas linhas de Nazca, para mim, era impensavel. Eu jà sonhava com essas linhas desde a minha adolescencia, quando li “Eram os deuses astronautas?” de Erich von Daniken, em que o autor as menciona como sendo obra de alienigenas.

Realmente as linhas de Nazca sao um misterio. Ninguem sabe quem as construiu, nem o porque da construçao e, principalmente, nem como foram feitos esses desenhos tao precisos, pois só sao “reconheciveis” do alto.
Alem da teoria de Daniken, existem ainda aqueles que sustentam que os nazcas fossem capazes de construir baloes para observar as linhas do alto, ou entao que sao figuras de importancia religiosa, que colegavam os templos, ou entao que sao pistas de corrida… Existem todos os tipos de hipotese, mas nenhuma aceita 100%.

Uma das maiores estudiosas do assunto, Maria Reiche, atribuiu a “paternidade” das linhas às civilizacoes paracas e nazca, no periodo compreendido entre 900 antes de Cristo até 600 depois de Cristo e, segundo ela, as linhas seriam um calendario astronomico utilizado na agricultura e foram traçadas seguindo sofisticados principios matematicos. Mas o paralelo feito entre o sol, a lua, as estrelas e as linhas de Nazca nao foi suficiente para convencer a comunidade cientifica.

As linhas de Nazca sao figuras gigantescas que foram desenhadas no deserto peruano, cobrindo uma area de uns 500km2, e, como já disse, para conseguir identifica-las, só mesmo sobrevoando. Nao existem tours terrestres para ver as linhas, pois alem de inuteis – nao dá pra ver nada – sao proibidos – para evitar a destruicao do lugar.

Os desenhos representados nas linhas de Nazca foram feitos com uma unica linha continua e realizados simplesmente mudando de lugar as pedras do chao; pois na regiao, as pedras sao escuras e o terreno arenoso e claro.
Como na regiao de Nazca a unica coisa que nos interessava era sobrevoar as linhas, nós acabamos fazendo um bate-e-volta a partir de Lima. O objetivo era ir de aviao até Ica, mas nao encontramos nenhuma agencia de turismo que fizesse o percurso a um preço aceitavel, entao acabamos indo de carro alugado com motorista a disposicao e um guia que nos recepcionaria em Ica.

A viagem foi bem cansativa, tivemos que acordar supercedo para estarmos no aeroporto de Ica às 10h da manha, horario do nosso voo. E’ claro que chegamos no horario certo e è claro que o aeroporto estava fechado por causa do mal tempo.

Tivemos que esperar até o meio-dia, hora prevista para a abertura do aeroporto. Segundo o nosso guia, é normal e corriqueiro encontrar o aeroporto fechado pela manha. Para passar o tempo fomos visitar o museu de Ica.

Um museu pequeno e surpreendentemente interessante e com um guia a disposiçao, ficou ainda mais interessante. Aprendemos tudo sobre as civilizaçoes pre-incas, como e pq alguns deformavam os cerebros, as tecnicas de mumificacao, os diversos estilos das ceramicas e tecidos fabricados e vimos coisas que, sem um guia, passaria despercebido, como, por exemplo, a figura de um oriental representada numa ceramica que deixou os arqueologos sem explicacoes: será que os povos antigos no Peru tiveram contato com orientais?

Depois do museu, voltamos ao aeroporto de Ica com um lindo sol brilhando. Por causa do trafego aereo, todos os voos da manha atrasados, tivemos que entrar numa “fila” e o nosso voo só foi autorizado para as 15h.
Eu já estava ficando impaciente! Mas, para matar o tempo, lá vamos nós passear por Ica de novo. Desta vez, o guia nos levou para visitar a Lagoa Huacachina e comer algumas “tejas”, doces tipicos dessa regiao. A lagoa é bonita, alguns a chamam de “Oasis da America” pois fica no meio de dunas, mas é bonita e só.

Para passar o tempo, fomos fazer um tour de buggy pelas dunas, muito parecido com aqueles passeios pelas dunas em Natal. Divertido, mas o meu objetivo ali eram as linhas de Nazca e eu já estava tendo um treco, nao conseguia aproveitar mais nada, pois quando o sol se poe, necas de voo sobre as linhas e eu perderia a viagem.

Preferimos voltar pro aeroporto e esperar por lá. O voo saiu realmente às 15h e foram 30 minutos de Ica até Nazca, 30 minutos sobrevoando as linhas e 30 minutos de retorno a Ica. Ver as linhas de Nazca é algo impressionante! Antes do voo, eu estava pendendo para a teoria da matematica Maria Reiche, depois do voo eu já nao sabia mais no que acreditar e a teoria de Daniken já nao me parecia tao inverossimel assim.
O unico senao desse voo é que o aviao era um teco-teco de 4 lugares e o piloto fazia mil manobras pra lá e pra cá, a fim de que todos pudessem observar bem as linhas de Nazca. Ainda que o aviao fosse dotado daqueles “saquinhos em caso de emergencias”, pra quem enjoa facil nao é um passeio recomendado. E pra quem nao enjoa facil (meu caso), ainda assim convem tomar certas precaucoes antes do voo (o que eu nao fiz), como nao comer nada ou usar um daqueles remedinhos contra enjoo.
Resisti bem os primeiros 15 minutos de voo, depois meu estomago virou de vez, dei vexame e nao consegui aproveitar o resto do passeio. Um outro passageiro foi meu companheiro de vexame e meu marido disse que se o voo durasse mais 5 minutos ele tb nao aguentaria.
Mesmo com todos esses perrengues, essa é uma viagem que eu faria novamente! É inacreditavel!
16 Comentários
7 outubro 2009 às 12:50 am
Nossa Luisa quando crescer quero viajar como você! Ultimamente só viagens maravilhosas! Putz e todo esse mistério e ver coisas que não tem em lugar nenhum…eu sempre acredito nas teorias mais simples e nada de alienígenas!
Sabe que eu também tenho lugares marcados desde a infância e a adolescência que eu tenho que ir!
Beijos
7 outubro 2009 às 5:34 pm
Luisa,
sem dúvida o Peru está disputando bravamente o campeonato para a escolha do meu próximo destino de viagem.
Esse passeio era um que me interessava muito. Mas acho que vou acabar desistindo, pois enjoo facilmente. :/ Que pena.
Vc senti algum efeito da altitude ou da alimentação?
7 outubro 2009 às 5:34 pm
Luiza
Parabens pela chamada no Riq.
Estou indo em Novembro para o Peru. voce poderia me passar algumas dicas de operadoras, hoteis, etc… que tenha gostado?
Obrigado!
9 outubro 2009 às 10:05 am
Oi CarlaZ,
Esse ano eu exagerei mesmo com as viagens! Nao parei quieta em casa!
Tao bom viajar, né?
Bjs
9 outubro 2009 às 10:08 am
Oi Natalie,
Se vc quer mesmo fazer a viagem, conversa antes com um medico pra te indicar algum remedinho contra enjoo. É um passeio que vale muito a pena e seria um pecado nao faze-lo…
A sensacao que tive foi a mesma (mas mais forte) que aqueles enjoos de barco ou de estrada com muita curva. Nao acredito que esteja relacionado com a altitude, mas com o movimento do aviao mesmo.
Bjs
9 outubro 2009 às 3:38 pm
Oi Ernesto,
Bom, com relacao aos hoteis:
O hotel que mais gostei foi o Monasterio de Cuzco, da Orient Express. O Sanctuary Lodge de Machu Picchu, tambem da Orient Express, só tem uma boa localizacao, pelo resto nao vale o que custa.
Fiquei na rede Libertador em Puno e fiz um day use em Trujillo e gostei bastante. O Libertador de Puno é meio fora da cidade, mas atendeu bem as minhas necessidades. Já o de Trujillo é na praca central e super bonito.
Em Lima, ficamos em dois hoteis: um em Miraflores o hotel Antigua, super charmoso e historico e, por questoes praticas ficamos tb num hotel sem muito charme, mas muito confortavel, foi o Ramada Costa del Sol, que fica dentro do aeroporto de Lima e é muito comodo pra quando se chega muito tarde, ou se deve sair muito cedo: sao 2 minutos a pé do quarto ao portao de embarque.
Em Huaraz ficamos no Andino Clube Hotel, um dos melhores da cidade (senao o melhor), mas nao passa de um 3 estrelas bem honesto com quartos grandes.
Com relacao a operadora, nós tivemos alguns probleminhas: a que nós haviamos escolhido, foi vendida nao sei pra quem e eu nao sei se foi essa mudanca de gestao ou se sao desorganizados mesmo. Tivemos que insistir, reconfirmar e telefonar um milhao de vezes para conseguirmos o que queriamos do jeito que queriamos, mas no final deu tudo certo.
Mas nós só usamos essa operadora para a viagem de Nazca e para Huaraz . No Parque de Manu, contratamos a Manu Expeditions e o resto fizemos tudo por conta, e normalmente contratavamos taxistas para nos levar onde queriamos e usavamos os guias locais das atraçoes que visitavamos.
E quando precisamos de um guia para o Vale Sagrado, por exemplo, onde nao tem uma “entrada” com guias na porta, pedimos ao hotel que nos indicasse algum. O guia foi excelente e nos deu uma aula de historia Inca.
Quanto aos guias fornecidos pelas agencia… Em Nazca e em Huaraz os guia foram bem bons, em Manu, o guia tinha muita boa vontade, mas pouco conhecimento.
Acho que é isso, se precisar de mais alguma informaçao, é só pedir!
Bjs
9 outubro 2009 às 11:16 pm
Essa dica do enjoo foi fundamental. Eu passo bem mal em estrada com curva ou barco. Tenho pavor de mar ou rio para navegar, porque é até meio psciológico: eu entro e começo a me sentir enjoada (e o barco nem saiu ainda! hahahaha!) Mas com avião nunca aconteceu… só que esse monte de curva aérea com certeza me pegaria! Vou prevenida para lá! Bjs!
9 outubro 2009 às 11:48 pm
Luiza
Obrigado !
Enjoo: Quanto mais voce olha para fora, menos enjoa, pois o enjoo e um reflexo do nosso corpo em face de olharmos um interior parado, e sentirmos o balanço de carro, barco, avião, etc… Assim, simplesmente olhe para fora, e evite fazer refeições antes de voar.
11 outubro 2009 às 6:03 pm
Luisa, o bom é que quando você viaja não deixa nenhum lugar escapar! Eu tinha vontade de sobrevoar Nazca também, mas achei que o custo-benefício talvez não compensasse…. Mas só de ver as fotos eu já fico impressionada!
13 outubro 2009 às 2:02 pm
Oi Silvia,
O duro é que esse maldito enjoo consegue acabar com qq passeio, né?
Vai prevenida e segue o conselho do Ernesto, de repente funciona!
Bjs
13 outubro 2009 às 2:03 pm
Oi Ernesto,
Se eu soubesse antes, poderia ter tentado a tua tecnica… Mas fica a dica! Valeu!
Bjs
13 outubro 2009 às 2:08 pm
Oi Camila,
Quem me dera se eu nao deixasse nada escapar mesmo! Nao importa o tempo que eu passe no lugar, sempre vai ficar alguma coisa de fora…
O jeito é encarar como desculpa pra voltar!
Bjs
18 outubro 2009 às 5:27 pm
Meu marido é doido para fazer esse passeio… eu nem sabia da existencia dessas linhas até conhece-lo. E hoje também tenho muita vontade de conhecer.
Quanto a sua pergunta se o povo o Peru antigo teve contato com o povo oriental… vc chegou a ler o livro “1421: o Ano em que a China Descobriu o Mundo”… muito interessante.
Bjs
20 outubro 2009 às 11:37 am
Em 1998 teve o fenomeno do ninho no Peru, choveu muito em Nazca e algumas das linhas sumiram mais embaixo delas apareceram outras mais antigas.
Do lado de Nazca esiste o deserto de Palpa onde ha outras linhas, so que estas sao mais antigas e as figuras nw tem parecido com nada neste mundo, parecem monstros.
Infelizmente nw tem acesso a estas linhas.
21 outubro 2009 às 1:41 pm
Oi Mirella,
Essas linhas sao muito interessantes mesmo! Vale o perrengue e o enjoo incluidos no passeio!
Vou procurar esse livro, parece bem interessante. Obrigada pela dica!
Bjs
21 outubro 2009 às 1:44 pm
Oi Liliana
O que o meu guia falou é que, às vezes, tem tanto trafego aereo em Nazca, que alguns pilotos acabam levando os turistas mais desavisados a sobrevoar Palpa, como se fosse Nazca.
Pena que meu estomago nao permitiu, mas fiquei muito curiosa de ver Palpa tambem!
Bjs